Manifestantes incendeiam 20 casas na capital do Timor-Leste
BR

28 junho 2006

Centenas de manifestantes contra o ex-premiê do Timor-Leste, Mari Alkatiri, atearam fogo a 20 casas em Díli, capital do país. O prédio que abriga a sede do Fretilin, o partido de Alkatiri, também foi atacado.

“Começaram a ser incendiadas, atacadas, apedrejadas e assaltadas as casas dos membros da Fretilin, os deputados da Fretilin e membros do Comitê Central. Há algumas situações mesmo nas zonas que não são super tensas, como é por exemplo o caso da RTTL, que é Rádio e Televisão estatais do Timor-Leste. Um campo de refugiados em frente ao maior hotel da capital e ao quartel-general do comando australiano foi apedrejado por cerca de 50 manifestantes”, disse a executiva portuguesa, que preferiu não se identificar.

O ex-presidente do conselho de ministros do Timor-Leste, Antoninho Bianco, disse que os manifestantes tiraram do ar as emissoras de Rádio e TV do Timor, RTL e TVTL.

O ex-premiê Mari Alkatiri foi criticado por não controlar a onda de violência que já matou mais de 35 pessoas após choques entre soldados rebelados e tropas do governo, que começaram em abril.

Na segunda-feira, Alkatiri anunciou sua renúncia para evitar um aprofundamento da crise.

Mas segundo analistas, a situação pode se agravar com a chegada à Díli de milhares de manifestantes pró-Alkatiri, que iniciaram uma marcha de apoio ao premiê rumo à capital do país.

O frei Clemente Martins da Ordem dos Franciscanos Capuchinhos em Díli, disse à Rádio ONU que está com medo de sair de casa.

“Eu, por exemplo, tive que sair para fazer umas compras, e de repente tive que correr para casa porque as lojas começaram a fechar. Houve manifestações em relação a alguns distúrbios numas casas mais para cima. Para os mais velhos é um bocado complicado correr, então a gente abre o portão e deixa-os entrar”, contou o frei.

Uma ex-colônia portuguesa, no sudeste da Ásia, o Timor-Leste foi anexado pela vizinha Indonésia e se tornou independente em 2002 após um referendo da ONU.

Mais de 145 mil pessoas ficaram desabrigadas por causa da violência.

Na segunda-feira, a ONU entregou mais de 150 toneladas de donativos aos refugiados timorenses.

 

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