África precisa de um milhão de técnicos da saúde para alcançar ODM

12 abril 2006

A África precisa de pelo menos um milhão de trabalhadores no sector da saúde para poder alcançar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) em 2015.

Três dos oito objectivos traçados pelas Nações Unidas em 2000 estão directamente ligados à saúde, nomeadamente à redução da mortalidade infantil, melhoria da saúde materna e combate ao HIV/SIDA, malária e outras doenças.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o continente africano alberga 14% da população mundial, comporta 25% do fardo mundial de doenças e possui apenas 1,3% do total mundial de trabalhadores de saúde.

A organização lembra que são precisos 2.5 trabalhadores da saúde por cada 10 mil habitantes para que sejam cumpridos os ODM mas a taxa em África é inferior a um trabalhador por cada 10 mil habitantes.

Os factores responsáveis pela crise prendem-se com os baixos salários, o planeamento deficitário dos efectivos e a migração.

À semelhança da maioria dos países africanos, a Guiné-Bissau depara-se com este problema, segundo a directora dos recursos humanos do Ministério da Saúde, Clotilde Neves.

"Estamos com falta de pessoal em quantidade e qualidade. Vários centros de saúde estão fechados por falta de pessoal. Temos poucas especialidades inclusive nos hospitais de referência nacional. O pessoal está desmotivado devido ao baixo salário e às condições de vida difíceis", indicou a directora.

Entretanto, o ministério da Saúde guineense já iniciou um conjunto de reformas no sector da saúde, com destaque para o recrutamento de parteiras, um grupo profissional cuja importância foi sublinhada pela directora executiva do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), Thoraya Obaid, por ocasião do Dia Mundial da Saúde.

"Estamos a proceder à revisão do enquadramento e a informatizar os nossos dados. Recentemente, foram formados 49 parteiras, graças a um financiamento da OMS, e outros 60 parteiras e enfermeiros, financiados pelo Banco Mundial e estamos a ver como recrutar este pessoal para podermos responder minimamente às necessidades", esclareceu Neves.

Por sua vez, Augusta Biaye, funcionária da OMS em Bissau, nota que o reforço dos recursos humanos do sector da saúde na Guiné-Bissau beneficia do apoio da organização e do sistema das Nações Unidas.

"Temos actividades em termos de formação de base, especialização em diferentes domínios e formação de curta duração. Desde o ano passsado estamos a apoiar um projecto de fixação de quadros nas ilhas Bijagós. Como temos dificuldades em fixar os quadros nessas ilhas, a OMS está a apoiar com subsídios para poderem instalar-se naquela localidade e trabalhar sobretudo no domínio da saúde materna e infantil", afirmou Biaye.

 

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