Seropositivos são discriminados no local de trabalho

28 abril 2006

Cerca de dois milhões de pessoas são excluídas do mundo do trabalho por serem portadoras do vírus da Sida e este número poderá duplicar até 2015, denunciou a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Numa mensagem alusiva ao Dia Internacional para a Segurança e Saúde no Trabalho, que este ano versa a Sida no meio laboral, Somavia apela à protecção dos trabalhadores contra a doença assim como o apoio aos seropositivos.

A protecção contra a pandemia, que afecta particularmente a África Subsaariana, é também um dos temas das jornadas sobre a segurança no local de trabalho organizado em Luanda pelo Governo angolano e o ONU/Sida, segundo o seu coordenador Alberto Estela.

"Há toda uma parte que é dedicada ao trabalho e segurança: como se defender do HIV/Sida, uma reflexão sobre a doença no trabalho, numa visão tripartita, ou seja, o empregador, o empregado e o Governo", explicou Estela.

A legislação angolana tomou uma série de disposições para prevenir a violação dos direitos dos trabalhadores portadores do HIV/Sida.

"A lei prevê multas e um mecanismo para o restabelecimento dos direitos da pessoa que foi lesada. Quando há um despedimento injustificado e provavelmente relacionado com o facto da pessoa ser seropositiva, segue-se um processo de investigação que pode conduzir ao tribunal para que os seus direitos sejam restabelecidos", acrescentou o coordenador do ONU/Sida em Angola.

Os casos de discriminação são raros mas existem, segundo a funcionária e presidente da Associação Luta pela Vida, Inês Gaspar, que recorda a reacção dos colegas quando foi conhecida a sua seropositividade.

"Uma boa parte reagiu muito mal ao passo que um pequeno grupo reagiu positivamente. Uma dessas pessoas está ao lado de mim e tem sido de um grande apoio. As que reagiram mal afastaram-se de mim mas aos poucos as coisas foram melhorando. Impliquei-me pessoalmente e procurei melhorar a informação, e as pessoas foram aproximando. Muitas tinham deixado de comer o que eu levava mas hoje voltaram a partilhar aquilo que como. Isso mostra que as coisas vão melhorando", disse.

É contra este tipo de preconceitos que a associação presidida por Inês tem lutado, através de acções de sensibilização.

"Muitas pessoas viveram ou continuam a viver essa situação no local de trabalho. Nem conseguem falar sobre o assunto. Quando somos informados sobre um caso destes, procuramos o empregador ou a instituição e lá vamos organizar palestras sobre o estigma e a discriminação. Mostramos como é possível as pessoas conviverem e temos conseguido bons resultados. Mas há colegas da associação que ainda não querem que a gente faça isso. Deixamos isso ao seu critério", concluiu Gaspar.

 

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