1 outubro 2020

Ulisses Correia e Silva deu entrevista para a ONU News; país também tem objetivos na área dos oceanos e do combate à seca; para o chefe de Governo, cooperação com membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, significa maior capacidade de intervenção. 

O primeiro-ministro José Ulisses Coreia enumerou à ONU News, da cidade da Praia, o posicionamento nacional em relação à Covid-19, dívida externa e recuperação da economia global. 

Cabo Verde deixa presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, e lembra a relevância da estratégia conjunta de água. Para a contribuição na Ação Climática, o país prevê a redução de dependência combustíveis fósseis e outras transformações.

 

ONU News (ON): Primeiro-ministro 75ª sessão da Assembleia Geral. Qual é a visão e a mensagem que deixa?

José Ulisses Coreia (JUC): Em primeiro lugar, gostaria de agradecer à ONU News por esta oportunidade. A nossa mensagem vai se centrar sobre alguns pontos. Em primeiro lugar, aquilo que é uma evidência que o secretário-geral tem estado a sublinhar: a necessidade de reforço do multilateralismo. Porque é com esse instrumento de ação colaborativa, comum, geral e solidária das diversas nações do mundo, que nós conseguimos dar respostas a questões importantes e emergentes como a pandemia da Covid-19. Várias questões relacionadas com a paz, com a segurança, com as migrações, com a pobreza com as crises humanitárias afetam o mundo, de uma forma ou outra, e as alterações climáticas, portanto são questões fundamentais.  Em segundo lugar e relacionada com o contexto nós vivemos. A pandemia da Covid-19, o acesso universal à vacina para que nenhum país fique de fora. Para que nenhum cidadão fique para trás no acesso. Em terceiro lugar, o perdão da dívida externa dos países africanos e, neste particular, dos pequenos Estados insulares em desenvolvimento, tendo em conta que esta pandemia impõe custos extraordinários quer em termos de adaptação e de proteção da saúde, a economia e a recuperação e o lançamento. Poucos países do mundo têm condições de sozinhos de fazerem frente a estes custos extraordinários e intensos. Só para dar o exemplo, a União Europeia injeta como estímulo financeiro de mais de 750 mil milhões de euros para que os seus vários países-membros possam acomodar esses custos e fazerem o relançamento da economia.
África precisa desse choque financeiro que irá no sentido não se pode fazer com que haja respostas aos grandes desequilíbrios macroeconómicos e orçamentais provocados por esta crise, mas uma grande oportunidade para um relançamento da das economias africanas, do seu processo de desenvolvimento tendo em conta os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
E depois, nós iremos colocar especial incidência nas questões relacionadas com os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento. É que são muito vulneráveis e, agora com a Covid-19, essa vulnerabilidade é amplificada. Portanto, que se encontrem soluções muito específicas de acesso às condições de financiamento que não estejam ligadas ao PIB per capita, que muitas vezes penaliza os Pequenos Estados Insulares. 
Portanto, nossa visão vai ser praticamente nesses pontos e salientando aquilo que Cabo Verde tem feito também relativamente às respostas que iremos dar e estamos a dar a este combate forte à Covid-19.

ONU Cabo Verde
Jovem carrega bandeira de Cabo Verde na cidade da Praia.

 

ON: Como Cabo Verde pode ajudar a reforçar o multilateralismo e a cooperação na recuperação pós-Covid-19?

UC: Os instrumentos que nós temos, a nossa voz, a capacidade de afirmação de princípios que defendemos junto da comunidade internacional nos fóruns internacionais os pequenos Estados como Cabo Verde, incluindo no grupo dos Pequenos Estados Insulares, por serem pequenos não deixam de ter voz.  E nós iremos fazer com que a nossa voz seja ouvida, quer nas questões que têm a ver com o multilateralismo, quer nas questões que têm a ver com o perdão da dívida, quer nas questões que têm a ver com o acesso à vacina e num bom combate à Covid-19 e às condições de retoma das atividades para podemos entrar na normalidade.

 

ON: Quais os desafios e as oportunidades na Cplp de enfrentar a mudança climática? 

JUC: Primeiro estarmos com um bom alinhamento relativamente a questões fundamentais, que têm a ver com a transição energética, que têm a ver com gestão sustentável dos recursos marinhos, porque são países que têm costas e têm vasto oceano a circundar. 
E em terceiro lugar, fazer com que a estratégia da água esteja também como um elemento importante no centro das preocupações.Portanto toda esta estratégia se for consertada a nível dos países da Cplp e dos Países Africanos de Língua Portuguesa pode nos dar muito mais capacidade de intervenção e da ação conjunta.

 

ONU Mulheres Cabo Verde
Mulheres em Cabo Verde

ON: O que o mundo pode esperar da atuação de Cabo Verde na aceleração da ação climática?

JUC: Nós somos um pequeno Estado insular, somos tomadores de crise. Quer dizer que aquilo que é o aquecimento global e a carbonização acabam por influenciar fortemente o aumento da durabilidade dos pequenos Estados. Aquilo para Cabo Verde está a fazer, pela própria nossa necessidade, em primeiro lugar, é termos uma estratégia muito forte de transição energética. Porque nós possamos reduzir a dependência dos combustíveis fósseis. Por isso é que temos metas muito grandes para atingirmos em 2030: mais de 50% das energias renováveis na produção e na distribuição para energia e chegar a cerca de 100% em 2040, incluindo a mobilidade elétrica. 
Isso pressupõe redução de combustíveis fósseis, ao mesmo tempo, a nossa contribuição para a melhoria das condições relativamente às alterações climáticas.
Em segundo lugar, a economia a transformar o mar imenso que nos circunda em economia azul, e numa gestão sustentável dos recursos costeiros e recursos marinhos. 
Em terceiro lugar outra dependência que nós precisamos reduzir é a dependência das chuvas. Um país que só pouco ter uma estratégia de diversificação do uso da água com atenção no forte nexo com as energias renováveis.
Portanto são áreas de necessidades emergentes para Cabo Verde e queremos aceder a essas transformações por nosso próprio interesse e, a partir daí, também dar uma contribuição para a globalidade da ação climática que é necessário desenvolver.
 

 

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