9 junho 2020

A comandante brasileira Carla Monteiro de Castro Araújo foi a vencedora do Prêmio Defensora Militar da Igualdade de Gênero da ONU. Ela serve na Missão de Paz na República Centro-Africana.

O que esse prêmio representa para você?

O prêmio foi uma grande alegria para a gente. Ele veio coroar um trabalho durante a missão. E ele veio como uma resposta aos meus questionamentos internos se eu estava fazendo a coisa certa. Porque quando eu desembarquei na missão, a gender advisor que veio antes de mim já havia recebido o prêmio então todo o trabalho que eu fiz, eu não pensava no prêmio, eu fiz pensando em como eu poderia fazer a diferença aqui na República Centro-Africana. Então ele veio como uma grande surpresa e uma resposta de que realmente o que eu sentia era para ser feito. Então ele veio para fechar com chave de ouro todo esse um ano que eu passei na República Centro-Africana.

ONU/Herve Serefio
Comandante brasileira Carla Monteiro de Castro Araújo receberá Prêmio Defensora Militar da Igualdade de Gênero da ONU.

 

E qual é seu trabalho na República Centro-Africana? 

Eu trabalho não somente com o componente militar, estimulando um maior desdobramento de mulheres nas missões de paz da ONU, como também trabalhamos, através de focal points, com a comunidade local. Porque o trabalho da mulher junto com a população local, nós percebemos que a interação é muito melhor, quando nós trabalhamos com mulheres. É mais fácil de conseguir informações, é mais fácil de conseguirmos nos conectar com a população. Não só com as mulheres, mas com homens também. Porque nós temos características diferentes. Nós somos mais acolhedoras, nós inspiramos mais confiança na população. Normalmente, as mulheres vêm até nós, as crianças vêm até nós.  E fica mais fácil que consigamos proteger as mulheres locais quando trabalhamos com elas no terreno.

Unmiss/Minusca/Hervé Serefio
Ganhadoras do Premio Defensora Militar da Igualdade de Gênero de 2020, a major Suman Gawani e a comandante Carla Monteiro de Castro Araújo.

 

O que foi um grande aprendizado nesta missão?

Uma grande lição que eu tive foi que nós sozinhos não conseguimos fazer nada. Então se eu não tivesse tido apoio seja da nossa liderança da Minusca, seja dos nossos companheiros da parte civil, e do nosso próprio componente militar, se a gente não tivesse estabelecido uma rede coesa, nós não teríamos conseguido fazer nada. Porque a missão de paz é uma missão multidimensional e nós temos que nos integrar, nós temos que unir nossos esforços em prol de um objetivo comum. Só assim nós conseguimos cumprir nosso mandato. 

Foto ONU/Eskinder Debebe
Patrulha militar em Bangui, na República Centro-Africana

 

O que você acha que pode ser feito para aumentar a presença das mulheres nas operações de paz?

Eu consigo ver que a ONU tem feito um esforço muito grande para aumentar a quantidade de mulheres nas operações. Então o que eu acho que deveria ser trabalhado agora é junto aos países contribuidores de tropas. Porque eles precisam investir na capacidade nacional deles. Eles têm que investir nas suas mulheres. Não só agora na indicação, mas desde o início. Desde o ingresso das mulheres nas forças armadas, dar oportunidades iguais na carreira, investir nessa qualificação, e acreditar que elas vão fazer um bom trabalho aqui. Encorajem suas mulheres a participarem das missões de paz, porque nós precisamos delas aqui. 

 

 

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