6 fevereiro 2020

Neste Destaque ONU News Especial, Ricardo Serrão Santos comenta a reunião preparatória para a grande Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, que acontece em junho na capital portuguesa. O representante fala também sobre o papel de Portugal no combate à mudança climática.

A primeira questão é exatamente saber da expectativa global em relação a esta grande conferência.

Portanto, é uma expectativa que tem a ver com a própria relevância que tem os oceanos. Os oceanos são um regulador fundamental da vida e bioquímica do planeta. Mas é um sistema que foi atingido pela maneira como nós desenvolvemos a nossa economia e fizemos as nossas opções em termos de energias e energia fóssil. E hoje é um sistema que está atingido por problemas. E como tal, entrou, de modo próprio na Agenda de Desenvolvimento Sustentável para a década. E é a primeira vez que há um objetivo dedicado especificamente aos oceanos. E o que eu notei agora nestes dois dias de reuniões estou bastante contente porque vi que os países, as organizações dos países  e as próprias outras organizações estão a dar uma relevância muito grande as ações que são necessárias no contexto do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável que tem a ver, de fato, com voltarmos a ter oceanos saudáveis e que sejam produtivos para a sociedade e economia mundial.

 

Há temas como a economia de baixo carbono, criação de empregos sustentáveis e também a preservação de recursos que fazem de Portugal uma referência global. Quer nos dizer quais são os próximos passos neste aspecto, o que é que a comunidade internacional quis saber aqui nas Nações Unidas?

Aqui nas Nações Unidas, de fato, o que estão a querer saber e o que estamos a querer juntar é vontades comuns. Porque, obviamente, problemas globais, como são esses problemas dos oceanos e da governação dos oceanos têm que ser resolvidos em conjunto. E têm que ser resolvidos em conjunto, mas têm que ser resolvidos localmente também, nacionalmente partilhando preocupações gerais que têm haver de fato com essa situação que é um oceano único, por assim dizer, e um planeta único.

 

Algo mais a dizer sobre as metas para a década? Estamos há 10 anos de 2030, do cumprimento dos ODSs e temos também aspectos como a economia do mar, como os oceanos, que têm um papel importante.

A expectativa de fato é que os oceanos participem mais e melhor na economia do mar.  E também no ponto de vista de alimentar, o alimento para o futuro. Porque o alimento do mar geralmente é mais saudável. Ele tem aqui, oportunidades de fato de vir a contribuir para a alimentação da sociedade e do planeta. Por outro lado, a possibilidade de energias renováveis a partir dos oceanos é uma aposta que existe em inovação e tecnologia e que está a fazer, e por outro lado resolver problemas como a questão dos plásticos e da poluição dos oceanos tem que ser um esforço conjunto. E neste sentido há que fazer um diálogo muito forte entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento, porque de fato, as capacidades dos países em desenvolvimento e a necessidade de financiamento das economias desta reforma, que é necessária fazer na utilização dos oceanos e na forma como gerimos as nossas economias, exige um esforço grande dos países em desenvolvimento que têm que ser apoiados pelos países desenvolvidos. Há simetrias e por isso que isto é uma década, não para o desenvolvimento, mas uma década para o desenvolvimento sustentável e uma década também de maior solidariedade. O que não é uma coisa certa. Nós nunca resolveremos e estamos com uma crise ambiental, estamos com uma crise ambiental importante, nós não vamos resolver as crises ambientais sem resolvermos as crises sociais e sem a justiça que é preciso para isso.

Saeed Rashid
Meta da Conferência da ONU sobre Oceanos de Lisboa é apoiar a implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 14, sobre a Vida na Água.

 

 

 

 

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