11 julho 2019

O secretário-geral das Nações Unidas disse esta quinta-feira, em Maputo, que “Moçambique tem autoridade moral inegável” para pedir apoio da comunidade internacional depois dos ciclones que atingiram o país em março e abril.  António Guterres falava aos jornalistas no final de um encontro com o presidente moçambicano, Filipe Jacinto Nyusi, e vários membros do governo.

Senhoras e senhores jornalistas, muito obrigado pela sua presença e pela vossa atenção.

Para mim, visitar Moçambique é uma questão do coração.

Eu estive em Moçambique no exercício de todas as funções oficiais que já tive.

Estive como primeiro-ministro de Portugal, estive como presidente da Internacional Socialista, estive como Alto Comissário para os Refugiados e estou agora como Secretário-Geral das Nações Unidas.

E sempre fui recebido com uma enorme amizade, um enorme calor humano, sempre me senti em casa, sempre me senti entre amigos, diria mesmo, entre irmãos.

E esta visita tem um caráter muito particular, porque é uma visita de expressão clara de solidariedade. Solidariedade minha, mas sobretudo solidariedade das Nações Unidas, com Moçambique, com o povo moçambicano e com o seu governo, que atravessaram uma situação extremamente difícil com os dois ciclones que tiveram um efeito devastador no território de Moçambique.

E Moçambique tem aqui uma autoridade moral inegável, porque é hoje claro que estes desastres naturais, que se repetem cada vez com maior intensidade e com maior devastação, têm muito a ver com as alterações climáticas. 

Ora, Moçambique praticamente não contribui para o aquecimento global, mas Moçambique está na primeira linha das vítimas desse mesmo aquecimento global.

E isso dá-lhe o direito de exigir da comunidade internacional uma forte solidariedade e um forte apoio, quer na resposta aos dramas criados pelas tempestades que assolam o país, quer na preparação do país na reconstrução e preparação do país para as situações futuras.

As Nações Unidas estiveram sempre do povo moçambicano, é verdade, dessa a primeira hora.

As agências das nações unidas encararam Moçambique como uma prioridade absoluta nesse momento, mobilizando o que de melhor tinham para poder estar ao lado do povo moçambicano e contribuir para aquilo que foi uma mobilização muito eficaz do governo e uma coragem extraordinária do povo. Uma resposta extraordinária. E quero prestar homenagem ao povo e governo moçambicano pela resposta extraordinária que foi dada, em situações particularmente difíceis, mas com uma ação de emergência imediata e, depois, com uma ação humanitária profunda e agora lançando o processo de reconstrução e, ao mesmo tempo, daquilo que agora se chama resiliência, isto é, a capacidade das comunidades poderem estar armadas para no futuro poderem resistir melhor a estes dramas.

As Nações Unidas estiverem e estarão com o povo moçambicano em todas estas fases. Naturalmente apelando à comunidade internacional para que a comunidade internacional apoie o povo de Moçambique, apoie Moçambique à escala da dimensão dos problemas, quer de resposta, quer de reconstrução.

O apelo humanitário das Nações Unidas foi um apelo de US$ 280 milhões, esteve longe de ser inteiramente cumprido. Na conferência de doadores, o estado moçambicano solicitou 3,2 mil milhões de dólares e foram prometidos 1,2 mil milhões, se bem me recordo.

É evidente que vai ser preciso mais. Vai ser preciso mais ajuda, mais apoio da comunidade internacional a Moçambique para poder responder efetivamente. E não apenas mais apoio, mas a concretização rápida dos apoios prometidos. E essa é uma outra questão decisiva em relação à solidariedade da comunidade internacional.

É preciso não apenas apoiar, mas apoiar a tempo.

Por outro lado, quero dizer que as Nações Unidas estão profundamente empenhadas em que o processo de paz em Moçambique tenha êxito.

As Nações Unidas apoiam, a fundo, o diálogo entre o governo e a RENAMO. E, tendo recebido a indicação por parte do Senhor Presidente de Moçambique, mas confirmada também por parte da RENAMO, que se considerava que a pessoa mais indicada para continuar a facilitar esse diálogo era o embaixador Mirko Manzoni, tive, naturalmente, imediatamente, pus-me à disposição do Senhor Presidente e de Moçambique e nomeei o e embaixador Mirko Manzoni como meu enviado pessoal para que ele possa continuar no exercício dessas funções de facilitador, criando, com isso, espero, melhores condições para o êxito do diálogo, que é uma condição fundamental para a paz e para a estabilidade de Moçambique. E sem paz é sempre difícil o desenvolvimento

Por outro lado, eu chego de Nairobi, onde realizámos a Conferência das Nações Unidas para África de Contraterrorismo e Prevenção do Extremismo Violento e tive a ocasião de manifestar ao Senhor Presidente de Moçambique a total disponibilidade da nossa unidade de Contraterrorismo e Prevenção do Extremismo Violento para colaborar, como estamos fazendo com diversos países africanos, com as autoridades moçambicanas, nomeadamente criando as condições para que, sobretudo as camadas mais jovens da população, possam ter uma ação positiva no combate ao extremismo, no combate à radicalização e não sejam vítimas desse mesmo extremismo ou dessa mesma radicalização.

E Moçambique pode contar, também aí, com o apoio total das Nações Unidas.

Senhor presidente, uma vez mais, muito obrigado pela sua generosa hospitalidade e pode contar com a total solidariedade das Nações Unidas e pode também contar com a minha total solidariedade com Moçambique neste momento de extrema importância para o pais, saindo das enormes dificuldades causadas por estes terríveis temporais, e encarando o futuro com empenhamento, com otimismo e com esperança.

 

 

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