25 junho 2019

Em entrevista à ONU News, especialista da Organização Marítima Internacional fala sobre igualdade de gênero na área marítima; Dia do Marinheiro é marcado esta terça-feira, 25 de junho.

Esta terça-feira, 25 de junho, marca o Dia do Marinheiro. Em 2019, o tema do dia é “Estou a bordo com a igualdade de gênero”.

Em entrevista à ONU News, a especialista da Organização Marítima Internacional, OMI, Sandra Rita Allnutt afirmou que o número de mulheres que trabalham nesta indústria é somente 2% do número de homens.

Chefe da Subdivisão de Tecnologia Marinha e GBS da OMI, Sandra Allnutt, Arquivo pessoal

Falando a partir de Londres, Sandra Rita Allnutt lembrou o seu percurso nesta área.

Por que é que o tema da igualdade de gênero é importante na área marítima?

Esse tema é extremamente importante porque o tema do Dia Marítimo Mundial esse ano é o empoderamento da mulher na comunidade marítima.

Se nós estamos falando da mulher na comunidade marítima, deveria começar por lembrar que o número de mulheres que são marítimas, que trabalham a bordo, é somente 2% do número de homens.

Claro, a ONU, como um todo, vê a importância da igualdade de gênero. Não poderíamos falar de outra forma na área marítima, que é uma área predominantemente masculina por todos esses anos. Mas claro, é hora de mudar e as pessoas estão vendo essa necessidade, porque a força de trabalho da mulher como um todo é extremamente importante.

Que desafios existem nesta área e que benefícios pode trazer a inclusão de mais mulheres?

Essa área, pela história, desde o início das primeiras embarcações, sempre foi uma área muito forte masculina. Eu acredito que isso vem por gerações em gerações. Posso falar, por exemplo, em respeito a mim mesma.

Quando eu decidi entrar para a área marítima, tinha 12 anos e era uma coisa quase como um sonho, era algo totalmente irreal se imaginar uma mulher engenheira naval, trabalhando na área de projetos de construção de navios. Da mesma forma como na época era inimaginável uma mulher trabalhando a bordo dos navios, chegando a ser por exemplo capitão ou uma engenheira de máquinas. E hoje em dia não, porque a mulher vem quebrando muitas barreiras.

Nós temos a nossa parte física, existe uma diferença grande entre o homem e a mulher, mas a nossa capacidade mental é a mesma. E, claro, as mulheres podem, sim, ter muito sucesso na área marítima como em qualquer outra área.

Pode falar um pouco sobre essas dificuldades, se ainda existe preconceito para as mulheres que tentam trabalhar nessa área ou não?

Como eu disse, existe uma campanha muito forte hoje em dia e, claro, a Organização Marítima Internacional está levando essa campanha, inclusive com mensagem do secretário-geral, da importância da inclusão das mulheres em todas as áreas, para que elas possam contribuir financeiramente com as suas famílias e ter um envolvimento profissional como qualquer outra pessoa.

Porém existe ainda, claro, muito preconceito.  Uma mulher a bordo, viajando por meses, com um grupo enorme de homens, que vai haver problemas, que vai haver falta de respeito. Mas eu posso falar para você que é o mesmo que em um escritório, a diferença é que você vive a bordo. A mulher tem condições, por ser forte emocionalmente, por viver todas as dificuldades de estar a bordo.

Eu creio que os homens hoje em dia já reconheçam também o valor e a importância da mulher e eu acredito que qualquer navio que tenha parte do staff do navio feminino não é mais problema hoje em dia.

 

 

 

 

 

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