19 junho 2019

A diretora do Escritório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação em Nova Iorque, Carla Mucavi falou sobre impacto das mudanças climáticas na desertificação, na segurança alimentar e nas migrações. Segundo as Nações Unidas, o planeta perde 24 bilhões de toneladas de solo fértil todos os anos.

Foto ONU: Jeanette Van Acker
Parceria apoiada pela ONU pretende melhorar a partilha de dados para reverter a crise criada pela desertificação e degradação do solo.

Poderia nos explicar por que este tema da agricultura familiar é importante?

A desertificação e a degradação dos solos são um grande desafio também para o alcance da agenda 2030 sobre desenvolvimento sustentável. Nós temos verificado por causa das mudanças climáticas. De fato, que há maior intensificação de cheias, há maior intensificação da seca, há cada vez mais pestes, que praticamente destroem as culturas alimentares. E quando os solos se degradam, as populações que trabalham nesses solos, muitas vezes são obrigadas a emigrar à procura de solos mais férteis. E isso pode, de fato, remetê-los, grande parte, à pobreza, a uma situação até de insegurança alimentar. E, portanto, a necessidade de nós olharmos para este tema como um tema importante, porque se nós não tratarmos dele com a importância que ele merece, nós corremos o risco de não alcançarmos os objetivos de desenvolvimento sustentável. E não atingir, não implementar a agenda 2030, que foi aprovada, de fato, pelos chefes de Estado, a nível mundial e, conforme a eliminação de todos estes desafios que o mundo ainda enfrenta. Portanto eu diria, quais são as causas? As causas são por exemplo desflorestamento. As causas, portanto, as mudanças climáticas pela forma nós lidamos com nosso planeta. Então é um problema sério, é um problema que nós temos que lidar com ele de forma muito responsável.

“Há necessidade de mudar a maneira como a gente lida com o nosso planeta”

E a FAO já tem várias iniciativas, tem vários projetos nesta área? Quais são os bons exemplos, os bons projetos que podem ser replicados?

Na verdade, sim, nós trabalhamos com as comunidades. E por este tema estar muito ligado à própria agricultura familiar, em África por exemplo temos aquilo que nós chamamos de “Great Green Wall”. Quando falava da necessidade, por exemplo, de evitar o desflorestamento, a necessidade de plantar, plantar árvores. Plantar uma árvore é uma coisa que não exige muito. Nós precisamos ter essa cultura de plantar, criar zonas verdes, mesmo nas zonas urbanas, criar aquilo que chamamos de hortas alimentares. Portanto são essas as iniciativas que a FAO promove. Mas também agora com as tecnologias nós temos os drones, que é possível por exemplo identificar zonas onde há menos água, onde os solos estão a degradar para podermos tomar medidas de precaução. É tudo isso a que eu queria me referir, mas há a necessidade de mudar a maneira como a gente lida com o nosso planeta. Essa é uma questão essencial. E nós estamos vendo que as mudanças climáticas são causadas pela forma como nós lidamos com a natureza. Portanto, temos que valorizar aquelas culturas tradicionais que são favoráveis ao contexto ambiental, isso é muito importante. A questão do uso excessivo de fertilizantes que também degradam os solos. Introduzir técnicas que são mais sustentáveis, olhando de uma forma mais holísticas, a própria agroecologia. Então estas são algumas das iniciativas e as medidas que a FAO tem tomado conta. É um trabalho feito muito ao lado das comunidades e das populações, e de fato são eles os agentes da mudança.

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