18 março 2019

A representante do Programa Mundial de Alimentação, PMA, em Moçambique coordena a resposta internacional ao período pós-ciclone no país. Karin Manente diz haver necessidade de mais recursos nos próximos dias. O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, Ingc, está na liderança do processo.

Qual o impacto do ciclone em Moçambique?

O impacto poderá ser até maior do que o ciclone. As informações ainda estão chegando e nós estamos então acompanhando de perto. A equipa humanitária já está no terreno, o PMA também, já estamos no terreno, desde o começo já estávamos lá. Estávamos primeiro posicionados em Caia, depois nos movemos para lá para a Beira, onde o impacto do ciclone foi muito avassalador. Por enquanto, ajudamos de várias maneiras, trabalhamos juntos de várias maneiras, sempre na liderança do Ingc, Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, eles é que estão na liderança, e nós apoiamos tanto na área da coordenação, porque são muitos parceiros envolvidos e chegaram mais, como também na área do próprio apoio, como também da própria resposta. Já tínhamos preposicionados biscoitos enriquecidos, temos um armazém bem grande no Dubai, está sempre disponível para emergências, a nível global, e chegou ontem aqui no país os biscoitos enriquecidos. Até ontem começamos com a distribuição em Beira, mas hoje também já estamos distribuindo biscoitos enriquecidos às pessoas que estão isoladas e muito afetadas no distrito de Nhamatanda.

Foi muito difícil a comunicação durante o fim de semana, mas nós, com o apoio de vários governos, estamos também a trabalhar na área da comunicação

Ontem também começamos com distribuições de “papinhas” enriquecidas na cidade da Beira, também no centro de acomodação na Cidade da Beira. Com as Nações Unidas e PMA também apoiamos na área da comunicação. Foi muito difícil durante o fim de semana, que aconteceu na sexta-feira, o ciclone de quinta para sexta. Foi muito difícil a comunicação durante o fim de semana, mas nós, com o apoio de vários governos, estamos também a trabalhar na área da comunicação. A partir de hoje temos já um centro de comunicações na Beira, temos já a conexão wi-fi, começando um pouco mais limitada e vai ampliar-se. Tem os peritos do Luxemburgo que estão trazendo um satélite portátil que está sendo colocado para ampliar o wi-fi. Isso é muito importante para o governo também e para os parceiros, para a troca de informação, planejamento, priorização, isso é muito importante. Também estamos providenciando telefones satélites. Na área da comunicação é fundamental. Então, comida, comunicação, também estamos trazendo um helicóptero e estamos considerando trazer um segundo quando houver o pedido, mas já mobilizando. O helicóptero chega amanhã, terça-feira, e já há helicópteros também no terreno, da África do Sul, que estamos usando agora para o resgate e salvamento e para distribuir os biscoitos, para alimentar a população que está afetada e isolada. Toda essa parte da logística estamos também trabalhando, sempre em coordenação com o governo e outras autoridades competentes na área e apoiando na coordenação, porque são muitos atores, muitos intervenientes, que provavelmente vão precisar de apoio na logística e estamos também preparados para isso.

PMA
O armazém do PMA na Beira ficou muito danificado, mas alguma ajuda alimentar ficou intacta e está sendo distribuída em 18 abrigos localizados em escolas e igrejas.

 

Temos um número de pessoas afetadas pelo ciclone?

Infelizmente, números não temos ainda. Temos de esperar mais um pouquinho. O governo vai sair com os números. Por enquanto, a estimativa era 600 mil, talvez irá aumentar. Vamos ver. 600 mil era mais em relação aos ciclones e às cheias de antes, porque houve cheias antes do ciclone chegar no país. E no fim de semana também houve mais cheias, por causa da descarga de águas, toda a chuva e volume de água que trouxe esse ciclone. Então está havendo mais cheias hoje também, infelizmente, e está sendo muito difícil.

 

PMA/Deborah Nguyen
Distribuição de alimentos em escola transformada em abrigo na Beira.

Quais as prioridades no momento?

Sempre nessa situação de busca, salvamento e resgate, antes de mais nada. Também medicamentos. Estamos muito preocupados com a questão da água. Queria dizer que outros apoios também estão sendo organizados por outros. Tem várias organizações trazendo, das Nações Unidas também, Unicef, OIM e outras, que estão trazendo coisas como abrigo, medicamentos. A Cruz Vermelha está muito ativa. Há várias ONGs que também estão muito ativas. Esse trabalho também está sendo feito e é muito importante. Prioridades, para voltar ao ponto, é busca e resgate, antes de mais nada, e depois também medicamentos. Estamos preocupados com a qualidade da água, água potável, e comida, precisam de comida, e abrigo também muito importante. A comunicação, meios de comunicação, energia, e infraestruturas, isso depois vai vir.   

 

Qual o plano de resposta humanitária?

A resposta humanitária é baseada no número de pessoas afetadas. Como ainda não é possível de quantificar isso, fizemos um apelo temporário, de US$ 40 milhões, na sexta-feira, mas provavelmente vai aumentar agora com essa segunda leva de cheias que infelizmente está assolando o centro do país.    

 

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