28 fevereiro 2019

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau, comenta a decisão do Conselho de Segurança de estender o mandato do Escritório Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau, Uniogbis.  A missão política poderá acompanhar as eleições legislativas de março e as presidenciais que devem ser realizadas em outubro ou novembro deste ano.

 

Falando à ONU News, em Nova Iorque,  João Butiam Có, disse que a expectativa é que os pleitos sejam “um virar de página” para a situação do país.

O chefe da diplomacia guineense  disse que a expectativa é que os cidadãs do país possam coabitar tendo um governo preocupado com o desenvolvimento.  

Ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau está conosco aqui nas Nações Unidas, logo após o encontro do Conselho de Segurança, que determinou que a missão vai continuar por mais um ano. Assusta a Guiné-Bissau o fecho desta missão em 2020?

Não, pelo contrário, em primeira mão nos congratulamos com a renovação de mais um ano de mandato da Uniogbis, e pela missão que tem pela frente durante esses próximos 12 meses. Como vocês sabem, nós temos as eleições legislativas que estão a decorrer, que estamos em campanha e no dia 10 será uma realidade. E nós esperamos que, após essas eleições legislativas, nós possamos ver de fato uma virada de página, e que os guineenses possam coabitar tendo um governo preocupado com o desenvolvimento do país. Mas para além disso, neste ano vamos ter as eleições presidenciais, que segundo a constituição e a lei eleitoral, devem ocorrer no mês de outubro e novembro. Se nós já temos o mandato, a aprovação de Ecomib (Missão da Comunidade Econômica dos Estados da África Oriental na Guiné-Bissau) num país que tem assegurado, digamos, a defesa e a estabilidade no país, tenho também o Uniogbis mais um ano para acompanhar as eleições legislativas e presidências. E depois preparar o caminho para uma reforma que possa poder incorporar os técnicos e departamento estatais do país é sempre uma boa decisão. Por isso nos congratulamos a forma como a Nações Unidas decidiu em relação a reestruturação da Uniogbis.

Ministro, com a mudança da configuração a Guiné-Bissau deixa de estar presente, pelo menos com tanta frequência, no Conselho de Segurança como vem sendo nos últimos anos. Significa isso um bom momento? Que mensagem isso leva a Guiné-Bissau para o mundo?

Nós acreditamos que é preciso esclarecer que de um tempo para cá, a Guiné-Bissau era um país muito mal compreendido no fórum e na arena internacional. A visita que foi feita há bem pouco tempo pelo Conselho de Segurança à Guiné-Bissau testemunhou, de facto, que acima de tudo o país tem condições para andar, apenas precisamos de uma compreensão, precisamos que a pessoa tenha mais paciência. Estamos a tentar labutar na afirmação do nosso processo democrático, com algumas vicissitudes, mas estamos em crer de que, de hoje em diante, com a compreensão da comunidade internacional, com todo o trabalho de integração que tem sido feito no quadro da União Africana, e posteriormente nas Nações Unidas, todos juntos, com princípio de solidariedade, consideramos que, desta vez, estamos de mãos dadas para que o país efetivamente possa encontrar o rumo certo para o desenvolvimento e bem-estar da população guineenses. Por isso estamos convictos que é possível, é desta vez.

E como a Cplp ainda pode apoiar a Guiné-Bissau daqui para frente?

A Guiné-Bissau é país membro da Cplp é sempre como muito agrado e satisfação, e com muita expectativa progressiva que nós esperamos uma participação mais política e mais presencial, digamos, a Cplp na Guiné-Bissau. A Guiné-Bissau tem participado em todos os fóruns da Cplp. Temos ouvidos os conselhos, que naturalmente são necessários, e esperamos que apesar de algumas dificuldades que efetivamente, a Cplp possa ter o seu papel importante na vida não só política, mas também econômica, social e cultural, para o desenvolvimento do país.  

 

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