11 fevereiro 2019

No Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, a investigadora portuguesa Micaela Fonseca partilhou com a ONU News a sua experiência num mundo ainda dominado por homens. A também professora auxiliar convidada na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Lisboa e no IADE – Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação, considera que tem havido uma evolução significativa na presença do sexo feminino no mundo científico, em Portugal, mas considera que ainda há um caminho a percorrer para que haja um equlíbrio entre géneros.   

Numa altura em que a ONU comemora o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, como se sente enquanto mulher na área das ciências? Ainda é um mundo dominado por homens?

Micaela Fonseca, investigadora portuguesa e professora universitária doutorada em Física Nuclear.
Arquivo pessoal

Eu, em Engenharia Física, nos últimos anos de curso fui a única mulher nas aulas, o que foi uma experiência muito interessante. Estou muito habituada a trabalhar no meio dos homens. Também no IADE os meus colegas são todos homens.

Honestamente, como mulher, o que se nota mais, também em Portugal, as mulheres têm uma voz cada vez mais ativa e um papel preponderante, mas ainda temos um caminho a percorrer em termos de aceitação, é isso que eu sinto.

Tive de saber lidar com estas situações, adoro trabalhar naquilo que faço com os meus colegas, mas como mulher tive de saber elevar a minha voz. Como mulheres ainda temos um caminho a percorrer.

Porque é que há esta diferença tão grande na presença de mulheres e homens na ciência?

Eu noto, desde que eu entrei para a faculdade até agora, que nos cursos  há muito mais mulheres. Eu acho que há muito mais vontade e a sociedade já evolui imenso para termos igualdade e não haver qualquer discrepância, nem qualquer problema, seja mulher ou homem. 

Mulheres estão sub-representadas nas áreas de ciências, tecnologias, engenharia e matemática, sendo apenas 30% dos pesquisadores no mundo. Foto: IAEA/Dean Calma

Que mensagem é que deixaria às mulheres e raparigas que pretendem ter uma carreia na área científica?

Eu acho que as barreiras vão sempre existir. Eu acho que acima de tudo temos de ser perseverantes nas nossas ideias, defender o que acreditamos e trabalhar muito. Porque cada um tem o seu papel, cada um tem as suas valências e todos eles são importantes para tudo funcionar. A trabalhar em equipa, todos os membros são importantes. Tem de haver uma grande colaboração, seja homem, seja mulher, é aquilo que eu sinto e é aquilo que eu acho tem de ser a forma de trabalhar, haver a aceitação de todos , qualquer que seja o género, qualquer sejam as suas ideias.

 

 

 

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