28 novembro 2018

O brasileiro que preside a Comissão Internacional de Inquérito sobre a Síria, Paulo sérgio Pinheiro, fala à ONU News da necessidade do Governo da Síria prestar contas após a recente divulgação de informação sobre mortos, detidos e desaparecidos.

Nesta conversa exclusiva com a ONU News, de Genebra, o representante salienta que é preciso que o Estado sírio preste contas sobre o destino e o paradeiro dos detidos e desaparecidos em todo o país, porque existem informações das pessoas detidas.

A comissão defende um novo mecanismo internacional para reunir, consolidar e analisar informações para que se tenha uma visão da questão dos desaparecidos na guerra da Síria.

ONU News: Como você vê a importância de se chamar a atenção para os casos dessas famílias que ficam sem informação nenhuma sobre o que ocorreu com seus familiares?

Paulo Sérgio Pinheiro: Essa guerra está durando muito tempo, nós estamos entrando no oitavo ano, e só agora o governo resolveu fornecer algumas centenas de certificados de morte, mas muito imprecisos, somente com um ataque de coração ou um outro motivo, sem nenhuma precisão de onde ocorreu e como foi. Isso é um sinal de que o governo da República Árabe da Síria tem informações a respeito das pessoas que foram detidas. Então, para nós, é muito importante nos colocarmos na perspectiva das vítimas, das famílias, e verificarmos o que é que elas querem. Elas querem é saber onde estes entes queridos estão, se estão mortos, se estão vivos. E também, nós temos o dever de tratar dos desaparecimentos. Este é o problema em todas as guerras. Foi o que aconteceu em todas as ditaduras da América do Sul, ou em outros conflitos internacionais. É preciso se investigar, é preciso de obter informações para saber quantas são as pessoas desaparecidas.

 

ONU News: E quais são as recomendações da Comissão de Inquérito Internacional sobre a Síria?

Paulo Sérgio Pinheiro: Há várias recomendações ao governo, que precisa facultar o acesso à organizações especializadas, por exemplo, o comitê internacional da Cruz Vermelha, a todos os espaços de detenção. Isso é uma coisa normal, que acontece em todo o fim de conflitos. Os conflitos que estão terminando é assim que faz. Da mesma forma, uma quantidade enorme de informações recolhidas no mundo inteiro sobre o conflito da Síria, sobre os desaparecidos, que precisam ser depositados numa entidade, num mecanismo que a comunidade internacional venha a criar, porque é preciso reunir, consolidar e analisar estas informações para que se tenha uma visão da questão dos desaparecidos na guerra da Síria.

 

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