30 abril 2018

Neste Destaque ONU News Especial, assista à entrevista exclusiva com o ex-presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso.  

Nesta conversa com Monica Grayley, ele fala sobre desafios à paz mundial, a importância da participação dos jovens na sociedade, entre outros assuntos.  

Fernando Henrique Cardoso está em Nova Iorque para participar de um congresso sobre o uso da tecnologia para promover segurança nas estradas. 

O evento ocorreu nesta sexta-feira na sede das Nações Unidas.

Sobre o exame toxicológico

Uma nova metodologia usa o fio do cabelo que dá uma espécie de histórico da pessoa. Então se ele tomou cocaína ou qualquer droga que ele tenha tomado mesmo antes, aquilo é registrado. Por que isso? Porque muitos motoristas de caminhão usam drogas para aguentar o trabalho duro etc. Então é uma metodologia para salvar vidas porque há muitos desastres (...) É necessário que haja políticas públicas a respeito do uso de drogas. E não adianta tapar os olhos. É um problema e um problema sério. Isso é uma espécie de programa preventivo.

É uma metodologia para salvar vidas porque há muitos desastres (...) É necessário que haja políticas públicas a respeito do uso de drogas. E não adianta tapar os olhos. É um problema e um problema sério. Isso é uma espécie de programa preventivo.

Sobre o combate às mortes no trânsito

Estamos combatendo. Por exemplo, no estado de São Paulo, a velocidade hoje já é mais controlada, e isso reduz o número de acidentes (...). Mas de qualquer maneira, isso é uma questão de educação  pública, políticas públicas e conscientização.  O mundo de hoje requer que as pessoas participem. (...) Não adianta só dar uma ordem. É preciso que esta ordem seja compartilhada. Tem que haver uma mudança de cabeça, de cultura. (...) Não é do dia pra noite. É um processo. Tem que ter paciência. E os líderes nacionais têm que entender isso. Eles têm que ser até certo ponto pregadores, explicar o que é bom, o que é mau, é um processo.

Tendência de polarização

Não só as redes sociais, as novas tecnologias, mas também está havendo uma reorganização do poder no mundo. A emergência de novas potências. Veja a China que cresceu muito.  Os países de economia emergente que querem ter também ter uma presença no mundo. Países pequenos que se armam como a Coreia do Norte, para poder ter força. E existe um deslocamento de poder no mundo. Então é um momento realmente perigoso. Somando-se a isso, as novas relações tecnológicas, as pessoas se informam. A net, a possibilidade de fake news, o uso da mentira, que sempre houve, mas era limitado agora é gigantesco. Isso abalou muito as estruturas tradicionais, as instituições (...) É um problema complicado e requer redoutrinação, reorganização do pensamento do mundo tal como ele existe hoje. E isso me preocupa porque isso está levando a tensões. (...) Como se ameniza isso. É o diálogo. É preciso aceitar o outro. Diferença não quer dizer inimizade, não quer dizer oposição.

Eu acho que a principal mensagem é o seguinte: não desistir. Por mais difícil que sejam as coisas não tem que desistir, tem que tentar. E não se faz nada sem convicção. Ou quando se faz não é bom. Bom é fazer aquilo que você acredita. (...)  Acho que o jovem é quem tem responsabilidade maior até. Porque a partir de certa idade, no meu caso, o que que a gente pode fazer? É olhar o que os outros estão fazendo e tentar dizer: olha, no meu tempo... Mas quando você começa a falar muito no “meu tempo”, você já era, né?
 

 

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