Perspectiva Global Reportagens Humanas

Agência da ONU cria espaço seguros para meninas refugiadas em Angola

Agência da ONU cria espaço seguros para meninas refugiadas em Angola

Baixar

Monica Grayley, da ONU News em Nova Iorque. *

O Fundo das Nações Unidas para a População, Unfpa, criou dois espaços apropriados para meninas e mulheres refugiadas congolesas que vivem no acampamento de Lóvua, em Angola.

As meninas fugiram do conflito em Kassai, na República Democrática do Congo, à procura de segurança na província angolana de Lunda Norte.

Tendas

No espaço, formado por duas tendas, o Unfpa oferece apoio emocional, conversas, informações e atividades de recreação. 

Uma das participantes, de 17 anos, contou que ao fazer parte das atividades, ela esquece, por um tempo, de todas as preocupações e lembranças que tinha de casa. 

A menina faz parte de um grupo de 35 mil refugiados de Kasai que fugiram para Angola. Ela teve que deixar sua casa em abril, quando homens armados invadiram o vilarejo em que vivia. Ao sair, somente com a roupa do corpo, viu cinco corpos decapitados em frente ao portão de casa.

A família teve sorte ao chegar inteira à fronteira com Angola, no mesmo dia.

Criminosos

Muitas meninas e mulheres falaram das atrocidades vividas com membros da família assassinados, mutilações e incêndios criminosos de propriedade. Violações sexuais também são notificadas.

Meninas e mulheres também enfrentam riscos durante crises humanitárias, até mesmo em campos de refugiados.

Especialistas dizem que já há relatos de violência de gênero nos assentamentos de refugiados em Angola.

A representante do Unfpa em Angola, Florbela Fernandes, contou que a violência também afeta a saúde da mulher, segundo ela o número de casos de pode ser ainda mais alto.

O assentamento de Lóvua está localizado a 100 quilómetros das fronteiras.

Ali, 15 refugiados foram contratados e capacitados como mobilizadores sociais para levar mulheres e jovens ao espaço e fornecer serviços.

Uma das mobilizadoras, Monique Kapinga, disse que muitas mulheres têm enormes preocupações.

O Unfpa também informa sobre direitos reprodutivos, serviços médicos e direitos humanos.  Cerca de 80 meninas têm aulas de drama e de dança, e quase 2 mil refugiadas já foram alcançadas pelos espaços riados pela agência.

*Apresentação: Eleutério Guevane.

Notícias relacionadas:

Angola e Moçambique com mais mortes por malária entre os lusófonos

Photo Credit
Foto Unfpa: Tiril Skarstein.