África do Sul introduz direitos humanos nos currículos escolares a partir de 2018
Escritório Regional dos Direitos Humanos da ONU para a África Austral participou no desenho de política regional para incorporar o tema nas escolas.
Manuel Matola, da ONU News em Nova Iorque.
O Escritório Regional dos Direitos Humanos da ONU para a África Austral está a trabalhar com as autoridades de Educação da África do Sul para introduzir, a partir do próximo ano, matérias ligadas aos direitos humanos nos currículos escolares do quarto ao 12º anos.
A iniciativa pretende dotar os estudantes sul-africanos de conhecimentos básicos em direitos humanos para superar conflitos e desigualdades sociais.
Pesquisa
Em nota divulgada esta terça-feira, o Escritório Regional dos Direitos Humanos da ONU para a África Austral cita uma pesquisa realizada na África do Sul que refere que menos de 10% da população já leu a Declaração de Direitos do país.
O estudo relevou a necessidade de se incorporar de forma abrange as matérias sobre os direitos humanos no sistema educacional.
Para tal, a Comissão Sul-Africana de Direitos Humanos, juntamente com agências governamentais de educação, universidades e o Escritório Regional dos Direitos Humanos da ONU para a África Austral desenharam uma política regional que visa integrar os direitos humanos nos currículos escolares.
Esboço
A representante do Escritório regional dos Direitos Humanos da ONU para a África Austral, Katherine Liao, disse que o estudo demonstrou que “havia uma clara falta de conexão entre o respeito do Estado de direito consagrado pela Constituição e as experiências vividas pelas pessoas comuns”.
O secretário-geral adjunto da ONU para os Direitos Humanos, Andrew Gilmour, citado na nota, considerou que “a educação em direitos humanos ajuda as pessoas a conhecerem os seus direitos – pois, elas podem reivindicar e defender-se melhor e encorajar os outros a se defenderem”.
Progressos
Gilmour afirmou que em caso de reagir à violação dos direitos humanos, a educação e conhecimento sobre os direitos básicos são “mais importantes do que nunca".
Mais de 300 profissionais de educação em direitos humanos, estudiosos e defensores de todo o mundo discutiram recentemente, no Canadá, de que forma a educação em direitos humanos pode trazer resultados concretos no dia-a-dia.
A oficial da ONU para os Direitos Humanos, Elena Ippoliti, citada na nota, destacou progressos registados nas últimas décadas em matéria de educação em direitos humanos em todo o mundo. Mas, de acordo com Ippoliti, ainda há um longo caminho a percorrer para que as sociedades se tornem mais justas e coesas.