Empoderamento das mulheres e raparigas em Moçambique desafia estereótipos

16 novembro 2017

As mulheres rurais que benefíciaram das intervenções de desenvolvimento de capacidades tomam a liderança e desafiam os estereótipos de género que negam oportunidades iguais às mulheres e raparigas, afirma ONU Mulheres. 

Ouri Pota, da ONU News em Maputo.

Em Moçambique, mulheres e raparigas são responsáveis em prover alimentos e água para suas famílias: a seca que assola o país faz com que esta camada não usufrua da infância assim como não tenha oportunidades de formação técnica. Em causa está a responsabilidade que se assume nas famílias.

Este cenário tende a inverter em Moçambique devido às ações de mobilização social para eliminação da violência e apoio em advocacia, levada a cabo pela ONU mulheres e parceiros.

Escola

A história de vida de Guelsa Chivodze, casada aos 17 anos de idade, evidencia os desafios vividos por milhares de raparigas no país.

Gelsea é ativista e seu desejo é influenciar outras meninas para que não abandonem a escola. Ela quer ser enfermeira e ajudar os sobreviventes da violência baseada no género.

Quando casada cuidou da casa e encarou a violência emocional, física e financeira. Seu marido não permitiu que ela fosse à escola no período noturno motivado pelo ciúme e normas locais nocivas ao empoderamento das mulheres e raparigas.

Atualmente, Guelsa rejuvenesce e avança com a reclusão do marido, que cumpre uma pena de prisão por prática de crimes na vizinha África do Sul.

Mobilização

Hoje, aos 30 anos de idade, está de volta à escola. Ela frequenta a Escola Secundária Guijá na província de Gaza, sul de Moçambique.

É nesta província que a ONU Mulheres tem feito a mobilização aos estudantes, professores e associações de pais para acabar com a violência e criação de espaços seguros para mulheres e meninas

Para a realização dos seus sonhos e transformação das práticas tradicionais nocivas, Gelsea conta com suporte do seu irmão mais velho, Helónio Chivoze, o qual considera um heroi, pois para além de apoiar nas despesas dos seus dois filhos e tê-la incentivado a voltar à escola, ele almeja ver sua irmã formada para sustentar pessoalmente a sua família e não depender de casamentos como fonte de subsistência.

Unicef

Dados do Unicef indicam que no país, 48% das meninas são casadas antes dos 18 anos e 14% contraem matrimônio antes dos 15 anos.

A situação da Guelsa não é um caso insolado no país, o mesmo caminho de violência baseada no género foi trilhado por Glória Mabunda que foi forçada a deixar a escola devido a gravidez.

Aos 34 anos edivorciada, Glória reergueu-se e abraçou a produção de aves como fonte de sustento da família em 2016, depois de ter participado de uma formação em avicultura comercial promovida pelo Instituto de Investigação Agrária de Moçambique com apoio da ONU Mulheres.

A ONU Mulheres com apoio do Governo da Bélgica implementou o projeto sobre "Igualdade de Género, Empoderamento Económico das Mulheres e Segurança Alimentar.

A iniciativa  beneficiou cerca de 200 mulheres rurais em Gaza, ao longo de três anos e permitu que mais de 8 mil mulheres e raparigas usufruíssem de  direitos de posse da terra, registro civil e licenciamento dos seus negócios.

 

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