Mianmar: Acnur pede fronteiras abertas para pessoas fugindo de Rakhine
BR

30 agosto 2017

Estimativas são de que 5,2 mil pessoas tenham fugido para Bangladesh de quinta a domingo da semana passada; secretário-geral da ONU e alto comissário para Direitos Humanos se pronunciaram sobre a situação.

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

Devido à “piora dramática” desde sexta-feira da situação no estado de Rakhine, em Mianmar, a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, comunicou nesta terça-feira ao Bangladesh estar pronta para ajudar as pessoas que estão fugindo através da fronteira.

Até domingo, estimativas são de que 5,2 mil pessoas tenham entrado no país vizinho vindas de Mianmar. Segundo relatos, outros milhares estariam ao longo do outro lado da fronteira.

Fronteira

Para o Acnur, é de extrema importância continuar a permitir que as pessoas da comunidade Rohingya que estão fugindo da violência busquem segurança em Bangladesh. A agência pede também que a comunidade internacional apoie o país com a assistência necessária.

Segundo o Acnur, ao mesmo tempo, devido à situação de segurança no estado de Rakhine, em Mianmar, o acesso à população é restrito. A agência apelou às autoridades do país que façam todo o possível para facilitar a ajuda humanitária e garantir a segurança da equipe.

Secretário-geral

De acordo com uma declaração emitida por Stephane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres, esta última onda de violência ocorre após ataques a forças de segurança de Mianmar em 25 de agosto.

Segundo a nota, o “secretário-geral, que condena os ataques, reiterou a importância de abordar as causas da violência e a responsabilidade do governo de Mianmar de fornecer segurança e assistência aos que precisam”.

O comunicado ressalta ainda que Guterres apoia plenamente as recomendações contidas no relatório do ex-secretário-geral, Kofi Annan, presidente da Comissão Consultiva sobre o estado de Rakhine, e fez um apelo ao governo para que as implemente.

Direitos Humanos

Já o alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, acredita que deterioração alarmante no norte de Rakhine era evitável.

Zeid expressou alarme com a violência e o incitamento no norte do estado desde o ataque a forças de segurança em três municípios na sexta-feira.

Ele fez um apelo a ambos os lados para que renunciem ao uso de violência e pediu às autoridades do Estado que garantam que operam em conformidade com suas obrigações sob a lei internacional de direitos humanos.

Justiça

O alto comissário afirmou que os autores dos ataques às equipes de segurança devem ser levados à justiça, assim como os que têm atacado a população civil. Ele defendeu que todas as medidas devem ocorrer em pleno respeito à lei internacional de direitos humanos.

Zeid declarou que o “Estado tem o dever de proteger todos em seu território, sem discriminação”.

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