Resposta à seca: agências da ONU defendem investimento na preparação

20 junho 2017

Em seminário internacional, em Roma, chefe da FAO ressaltou que construção de resiliência é fundamental e que responder a tais situações quando elas ocorrem pode ser tarde demais; Graziano da Silva lembrou que mais de 250 mil pessoas morreram de fome na seca de 2011 na Somália.

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.*

Investir na preparação e construção de resiliência de agricultores é fundamental para lidar com seca extrema porque responder a tais situações quando elas ocorrem pode ser tarde demais.

Esta é a avaliação do chefe da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, José Graziano da Silva.

Somália

Em um seminário internacional realizado em Roma, Graziano da Silva lembrou que mais de 250 mil pessoas morreram de fome na seca de 2011 na Somália.

O representante afirmou que “pessoas morrem porque não estão preparadas para enfrentar os impactos da seca, porque seus meios de subsistência não são resilientes o suficiente”.

Resiliência

Para o chefe da FAO, “salvar meios de subsistência significa salvar vidas e é disso que se trata construir resiliência”.

Segundo Graziano da Silva, durante anos o hábito tem sido responder a secas quando elas acontecem, a fornecer assistência emergencial para manter as pessoas vivas.

Embora estas ações de emergência sejam importantes, investir em preparação e resiliência coloca os países em posição de agir rápido antes que seja tarde demais. Isto significa que agricultores e comunidades rurais estejam em uma posição melhor para lidar com clima extremo.

Impactos

Os impactos da seca podem levar à fome e instabilidade e causam perdas económicas de até US$ 8 mil milhões por ano.

Com a mudança do clima do planeta, secas graves estão a tornar-se cada vez mais frequente. Desde a década de 1970, a área no mundo afetada por situações de seca dobrou.

O fardo é especialmente pesado em países em desenvolvimento, onde a agricultura continua a ser um pilar económico. Segundo a FAO, mais de 80% das perdas causadas por seca são sentidas na agricultura destas nações.

África

A África particularmente tem sentido o peso destes fenómenos. Entre 2005 e 2016, 84 secas afetaram 34 países africanos.

No evento de segunda-feira, a FAO e Organização Meteorológica Mundial, OMM, assinaram um memorando de entendimento para aprofundar sua cooperação.

As agências cooperarão para aprimorar dados, ferramentas e métodos na área, assim como para melhorar o acesso de pequenos agricultores a produtos e serviços com visto a ajudá-los na preparação para secas.

Já o presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Fida,   Gilbert Houngbo enfatizou a necessidade de interromper o ciclo de crises, desastres e assistência. O representante pediu à comunidade internacional que seja proativa e que pense não apenas nas emergências de hoje, mas também em como prevenir as de amanhã.

*Apresentação: Denise Costa.

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