Diferença entre mulheres e homens na força de trabalho continua alta
BR

14 junho 2017

Relatório da Organização Internacional do Trabalho prevê piora da situação ou manutenção do nível atual em várias partes do mundo; participação dos homens no mercado de trabalho já chega a 76,1% e de mulheres a 49,4% este ano.

Edgard Júnior, da ONU News em Nova Iorque.

A Organização Internacional do Trabalho, OIT, afirmou que a lacuna na participação de homens e mulheres no mercado de trabalho global continua muito alta.

O relatório da agência da ONU, Panorama Mundial Social e de Emprego 2017 diz que, em média, a lacuna de gênero atingiu 26,7% no mundo neste ano. A participação dos homens na força de trabalho chegou a 76,1% e a das mulheres 49,4%. Para 2018, os índices devem se manter estáveis, com uma queda de 1% para os dois lados.

Brasil

No caso do desemprego, ele é maior para as mulheres com um índice de 6,2%. O desemprego entre os homens chega a 5,5%. O documento diz ainda que as mulheres que conseguem encontrar trabalho, geralmente ele é de pior qualidade comparado com o masculino.

O diretor do Escritório da OIT em Nova Iorque, Vinícius Pinheiro, deu mais detalhes à ONU News sobre a situação das mulheres trabalhadoras no Brasil.

“No Brasil, a situação é muito parecida com a média mundial. Hoje, a taxa de participação da mulher no mercado de trabalho é de cerca de 56,8% enquanto que a participação masculina é de cerca de 78,2%. Portanto há uma brecha de (quase) 22% nesse contexto.”

Pinheiro afirmou que o aumento da participação da mulher no mercado de trabalho terá um impacto fenomenal na economia.

A OIT calcula que um aumento de 25 pontos percentuais na participação feminina na força de trabalho, que é um compromisso do G20, pode trazer uma alta de US$ 5,8 trilhões no Produto Interno Bruto, o PIB global até 2025.

Os países árabes são os que apresentam as maiores diferenças. A lacuna de gêneros nessas nações atinge 55,2%, o índice mais alto no mundo, seguido pelo norte da África com 51,2%. Na região da América Latina e do Caribe, a taxa é de 25,6%, mais baixa do que a média mundial.

Emergentes

Analisado mais de perto, o documento mostra que a diferença entre homens e mulheres no mercado de trabalho é maior nos países emergentes, com 30,6%. As nações em desenvolvimento são as que apresentam o menor índice na lacuna de gênero.

Para solucionar o problema, os especialistas da OIT sugerem a promoção de salários iguais para trabalhos iguais. Além disso, eles pedem que os governos ataquem as causas da segregação ocupacional e setorial.

As autoridades devem apoiar uma maior representação e participação feminina em todos os setores, como também o papel de liderança nas tomadas de decisões.

Reforma

A OIT quer uma reforma das instituições para prevenir e eliminar qualquer tipo de discriminação, violência e abusos contra ambos, mulheres e homens.

O primeiro passo neste sentido, segundo a agência da ONU, seria a implementação de leis que possam prevenir e eliminar a discriminação baseada em gênero.

O relatório explica que as mulheres, muitas vezes, fazem contribuições para a sociedade e famílias fornecendo um tipo de trabalho considerado invisível ou desvalorizado.

Entre eles está o cuidado de parentes doentes. Esse é um tipo de serviço necessário para a sobrevivência da da família.

A OIT quer que os países implementem também políticas para melhorar e promover o equilíbrio entre trabalho e família. Milhões de mulheres e homens no mundo não têm qualquer tipo de proteção legal neste sentido.

O relatório diz ainda que devem ser criados e protegidos empregos de qualidade no setor de cuidados de saúde, uma área em que as mulheres têm grande participação.

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