Banco Mundial discute poder da logística urbana para o desenvolvimento
BR

9 junho 2017

Especialistas em serviços e tecnologias trocam ideias para melhorar o transporte de carga e a mobilidade em todo o mundo.

Mariana Ceratti, de São Paulo, para a ONU News.*

O Banco Mundial destacou o papel da logística urbana para o desenvolvimento sustentável em evento nesta semana, em São Paulo.

Hoje, 60% do PIB global é produzido em 600 cidades, que cada vez mais contam com o transporte de carga em suas atividades econômicas diárias. Essa necessidade aumenta sempre que a renda da população cresce, gerando custos e desafios para a infraestrutura, mas também empregos e inovações tecnológicas.

Fretes

O seminário mostrou, por exemplo, a estratégia do estado de São Paulo para aumentar a integração entre fretes rodoviário e ferroviário, já que as principais estradas estarão saturadas em 2020. E, quando se fala em transporte dentro da capital, a situação também é crítica. Os congestionamentos aumentam em 42% os tempos previstos para deslocamento e encarecem o custo logístico em 136%.

A boa notícia é que a tecnologia, associada a boas políticas públicas, pode aliviar muitos desses problemas e gerar empregos. Novos aplicativos permitem a empresas de todos os tamanhos planejar suas entregas com mais eficiência, por exemplo. Além disso, programas para celular popularizam o conceito de crowdshipping, em que pessoas comuns ganham dinheiro para fazer frete a pé ou usando os próprios veículos.

Radar

A especialista em transporte Bianca Bianchi Alves, do Banco Mundial, explica de que forma a instituição pode apoiar essas inovações.

“A questão da logística urbana não está muito no radar das Prefeituras, que são os principais atores na definição de regulamentações e políticas para carga urbana. A carga é sempre vista como um vilão. O objetivo do Banco é mostrar que a carga é parte de um sistema de cidades sustentáveis, ela não pode ser ignorada. Então, o Banco pode ajudar a mostrar que existem soluções sustentáveis, interessantes (…), promovendo esses seminários, promovendo pilotos interessantes, porque a gente não tem soluções mágicas para tudo.”

Uma promessa para o setor está nos carros sem motorista e compartilhados por diversos usuários, que poderão gerar uma transformação inclusive para a logística de carga urbana. Essa é a opinião de Ciro Biderman, coordenador do Mobilab, da Prefeitura de São Paulo.

Empresas

“Eu acho que a gente vai assistir ao carro autônomo entrando consideravelmente no mercado em cinco anos. E acho que tem a ver com a economia compartilhada porque ele inicialmente vai ser muito caro. Exceto que, se você está usando tão intensamente quanto essas empresas de economia compartilhada podem usar, muda a perspectiva. Ou seja, o que você vai ganhar em capital porque não vai ter que ter um motorista para este carro vai te pagar."

Ainda segundo o especialista, esse tipo de serviço aumentará a eficiência dos trajetos entre as residências, as estações de transporte público e os destinos finais dos usuários. E apresenta muito potencial para atrair as novas gerações, que cada vez menos se interessam em ter carro.

*Reportagem do Banco Mundial Brasil.

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