Refugiados do Burundi devem chegar a meio milhão este ano

23 maio 2017

Situação de refugiados pode tornar-se a terceira maior em África; Moçambique alberga alguns cidadãos burundeses que fugiram da crise no país dos Grandes Lagos.

Eleutério Guevane,  da ONU News em Nova Iorque.

Mais de 410 mil refugiados e candidatos a asilo do Burundi deixaram o seu país para as nações da região nos últimos dois anos.

A Agência das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, alertou esta terça-feira que o número de pessoas nessa situação deve ultrapassar meio milhão até ao fim de 2017, “se a situação política não melhorar”.

Apoio

O pedido aos doadores é que continuem a apoiar os países que acolhem refugiados burundeses. Para lidar com a situação, a agência da ONU precisa de US$ 250 milhões.

A Tanzânia acolhe cerca de 249 mil burundeses e a maior parte deles vive em três campos superlotados. Moçambique está entre as nações que albergam cidadãos do Burundi em pequenos números, na situação de refugiados que pode tornar-se a terceira maior em África.

O Acnur voltou a expressar preocupação com a instabilidade que leva as pessoas a procurar segurança nos países vizinhos. A agência destaca que os recém-chegados contam acerca de abusos de direitos humanos, do medo de perseguição, além da violência sexual e de género.

Potencial

A agência destaca que em campos superlotados as mulheres e as crianças estão particularmente expostas a vários riscos. O Acnur e seus parceiros já vêm alertando para a necessidade de proteção e para os riscos à saúde como um novo surto de cólera.

A agência voltou a expressar preocupação com a instabilidade que continua a obrigar os burundeses a procurar segurança nos países vizinhos. Os outros principais destinos de burundeses são Ruanda com 84 mil, Uganda com 45 mil e República Democrática do Congo com 41 mil.

Além da superlotação dos acampamentos, o Acnur está preocupado com a instrução das crianças, que está gravemente afetada porque é impossível acomodar todos os alunos.

A Tanzânia precisa de mais de 600 novas salas de aula porque muitas crianças burundesas assistem às aulas debaixo de árvores.

O apelo aos países vizinhos é que continuem a dar acesso aos que fogem da situação no Burundi e não os devolvam se não for essa a sua vontade.

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