OMM afirma que há 60% de chance do El Niño aparecer este ano
BR

28 abril 2017

Organização Mundial de Meteorologia explica que fenômeno natural pode surgir no fim do ano; previsão deve ajudar a salvar vidas após secas e enchentes ocorridas na temporada 2015-2016.

Leda Letra, da ONU News em Nova Iorque.*

Existe uma chance entre 50% a 60% do El Niño aparecer no fim do ano, segundo a Organização Mundial de Meteorologia, OMM. A previsão foi revelada esta sexta-feira.

A agência explica que o fenômeno natural envolve a flutuação das temperaturas do oceano no Pacífico equatorial central e leste. O El Niño tem grande influência sobre o clima em várias partes do mundo, além de aquecer as temperaturas do ar.

Brasil

De São José dos Campos, o vice-presidente da Organização Mundial de Meteorologia, OMM, Divino Moura, falou à ONU News sobre o impacto do El Niño no Brasil.

“Um impacto típico que seria do nordeste do Brasil, mas aí seria para o ano que vem. Então essa previsão vai só até fevereiro que é quando começa a estação chuvosa no nordeste que vai de janeiro até maio. O El Niño para o nordeste é uma coisa ruim, ou seja, tende a diminuir as precipitações no nordeste ao contrário do Sul, em que você poderia ter chuvas mais abundantes na região. Na África você teria questões de diminuição de chuva no Chifre da África, que também é típico nessa fase do ano.”

Ventos

A OMM destaca que a temperatura na superfície do mar no leste do Oceano Pacífico subiu 2° Celsius entre fevereiro e março, contribuindo para chuvas pesadas e fortes ventos nas Ilhas Galápagos, no Equador e no Peru.

Pelas previsões da agência, essas condições vão persistir até junho, com chances do El Niño surgir no fim do segundo semestre. Por outro lado, será bem difícil o La Niña aparecer este ano.

Reduzir riscos

O diretor de Previsão Climática da OMM lembra que “a memória ainda está fresca” em relação ao forte El Niño que passou por vários países em 2015-2016. Houve cheias, enchentes e branqueamento de corais, levando a um novo recorde de aumento das temperaturas globais.

Maxx Dilley explica que previsões sobre o El Niño ajudam a salvar vidas, além de ser essencial para os setores agrícola e de segurança alimentar. Reduzir o risco de desastres naturais é também outra meta.

Efeitos

Mas os efeitos do El Niño no clima nunca são parecidos, pois dependem da intensidade do evento, da época do ano em que acontecem e da interação com outros padrões do clima.

A OMM vai continuar monitorando a situação e divulgar mais detalhes nos próximos meses. A agência lembra que o El Niño geralmente é associado a condições quentes e secas na Austrália, na Indonésia, nas Filipinas, na Malásia e nas ilhas do Pacífico central.

Já no Hemisfério Norte, condições mais secas do que as normais podem ser observadas durante o inverno sudeste da África e na região norte do Brasil.

O El Niño também pode fazer com que o tempo fique muito úmido no Golfo dos Estados Unidos e na costa oeste da Colômbia, Equador e Peru, além do sul do Brasil e Argentina. Países africanos como Quênia e Uganda também enfrentam chuvas acima do normal.

*Apresentação: Edgard Júnior.

 

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