Conselho de Segurança quer fim de “retórica inflamatória” na Guiné-Bissau

15 fevereiro 2017

Cooperação entre cinco membros permanentes e Uniogbis vai apoiar missão regional de alto nível para ajudar no diálogo político; reunião à porta fechada apela ao apoio à força colocada no país após o golpe de Estado de 2012.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.*

Os 15 Estados-membros do Conselho de Segurança pediram às partes envolvidas da crise política na Guiné-Bissau que se “abstenham de retórica inflamatória e tomem as medidas adequadas para controlar a situação”.

Na terça-feira, o órgão realizou uma reunião à porta fechada no fim do qual manifestou “profunda preocupação” com o impasse político no país.

Mediação

O apelo aos lados envolvidos na crise é que implementem o Acordo de Conacri adotado em setembro. O Conselho elogiou ainda a iniciativa de envio da missão de mediação a Bissau pela Comunidade Econónica dos Estados da África Ocidental, Cedeao.

O representante do secretário-geral da ONU no país, Modibo Touré, disse numa sessão realizada momentos antes do encontro que esses esforços teriam apoio do Gabinete Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau.

Diálogo

Touré frisou que a Uniogbis, em cooperação com os cinco membros permanentes do Conselho, P5, vão trabalhar para apoiar o envio a tempo de uma missão de alto nível projetada para ajudar a avançar com o diálogo político na Guiné-Bissau. De acordo com o enviado qualquer avanço nesse diálogo será de curta duração se as causas profundas do conflito não forem abordadas.

Para o Conselho, uma das necessidades mais urgentes é garantir um diálogo inclusivo entre os principais atores nacionais para assegurar o funcionamento eficaz do Governo.

Os 15 países-membros convidaram as partes a cooperar para assegurar o funcionamento adequado da Assembleia Nacional Popular para “aprovar reformas importantes”.

A nota encoraja ainda a Comunidade Econónica dos Estados da África Ocidental, Cedeao, a manter a presença da sua força policial e militar no país, Ecomib, além de junho deste ano.

Confiança

O pedido aos parceiros internacionais é que considerem a possibilidade de estenderem o seu apoio nesse sentido. A força foi colocada no país após o golpe de Estado militar de 2012.

A nota destaca que é preciso mais envolvimento e apoio de doadores a um diálogo nacional inclusivo e a nível interno “um governo funcional para trabalhar para restaurar a confiança dos parceiros de desenvolvimento.”

As outras preocupações são a criminalidade organizada transnacional e ameaças como o tráfico de drogas.

*Apresentação: Denise Costa.

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