Mais comunidades abandonam mutilação genital feminina na Guiné-Bissau

6 fevereiro 2017

Comité apoiado pelo Unicef revela focos de resistência com estratégias que podem envolver menores; região de Oio marca evento principal do Dia Internacional de Tolerância Zero a Mutilação Genital Feminina.

Amatijane Candé, de Bissau para a ONU News.

O abandono da mutilação genital feminina na Guiné-Bissau tem uma evolução positiva apesar de alguma resistência “com a introdução de estratégias de submeter bebés à prática”.

A constatação é do Comité Nacional para o Abandono das Práticas Tradicionais Nefastas, uma entidade do governo que conta com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

Autonomia

A presidente do Comité, Fatumata Djau Baldé, contou à ONU News, em Bissau, que a prática vai deixando de ser um tabu no país. A ativista considera a autonomia feminina a melhor forma de combater a mutilação genital.

“Para que a mulher seja autónoma, ela precisa ser escolarizada, ter uma formação e não depender economicamente de ninguém para poder sobreviver. Neste caso, ela poderá tomar decisões sobre sua vida e da sua família sem pensar que se não cumprir as ordens do marido poderá perder o casamento”.

A conversa com a responsável ocorreu por ocasião do 6 de fevereiro, Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina.

Casamento

O ato central para assinalar a data é uma declaração pública do abandono das práticas de excisão feminina por cinco comunidades em Cutia, região de Oio, no norte da Guiné-Bissau. O evento reúne figuras do governo, da sociedade civil e líderes religiosos.

A consultora da Proteção da Criança no Unicef, Sónia Polónio, lembrou que há outras práticas nefastas aos direitos das meninas e mulheres guineenses como o casamento forçado ou precoce e a não-escolarização.

“É encorajador quando vemos os imames, líderes comunitários, chefes de tabanca, as mulheres líderes e as próprias crianças e adolescentes a frente de todas as outras comunidades, da televisão, de todos os outros medias que nós, comunidade, queremos avançar para o abandono, queremos fazer esforço para continuar a abandonar esta prática”.

Abandono

Em Oio, responsáveis e membros comunitários decidem voluntariamente dizer não as práticas nefastas no primeiro ato do género na província norte e quinto em todo o país nos últimos três meses.

O Unicef refere que a declaração pública, liderada pelo comité do governo, marca o trabalho numa estratégia em curso para o abandono progressivo da mutilação genital feminina a nível local.

O Comité Nacional para o Abandono das Práticas Tradicionais Nefastas quer reforçar as campanhas comunitárias de informação e sensibilização, capacitar mais técnicos de saúde e educação e reforçar as capacidades dos líderes religiosos.

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