“Eu disse a Eisenhower que queria ir para a Palestina”, conta sobrevivente
BR

27 janeiro 2017

Rafael Teitelbaum falou à ONU News sobre os momentos após a liberação do campo de concentração de Buchenwald, neste Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto; hoje, aos 90 anos, ele lembra a emoção de receber o “passaporte para a liberdade” das mãos do general, e depois presidente, dos Estados Unidos.

Monica Grayley, da ONU News em Nova Iorque.

Numa manhã cinzenta de abril, em 1945, os rumores de que o campo de concentração de Buchenwald, na Alemanha, seria liberado, começaram a correr.

Um amigo avisava ao outro, quase em sussurros, que a qualquer momento, aviões, tropas, ou alguém poderia chegar em socorro deles.

Plano sistemático

Os prisioneiros do campo eram alvos de um plano sistemático, executado pelo regime nazista, para exterminar os judeus e outras minorias, durante a Segunda Guerra Mundial.

Rafael Teitelbaum, então com pouco mais de 17 anos, lembra que recebeu a notícia com muita esperança de escapar dos horrores vividos há mais de um ano e meio, e que tinham começado em Auschwitz, o campo para onde havia sido levado por policiais colaboradores dos nazistas.

Nesta entrevista à ONU News, diretamente de Porto Alegre, o sobrevivente, hoje com 90 anos, fala do júbilo vivido com a liberação do campo.

“Eles entraram (os americanos) e de repente vem um avião, assim teco-teco, e deixou cair um saco enorme. Tinham crianças de 12 anos, de 10 anos, e como sobreviveram? Não sei... Veio um homem que abriu o saco e todo mundo (...). Tinha lá tudo que você quer ver: chocoloate, bolo, cigarro (para quem fuma). Olha, éramos umas 20 e pouco crianças e foi tudo repartido entre nós.”

Rafael Teitelbaum lembra que ficou impressionado com a postura do comandante das tropas, o general Eisenhower. Segundo ele, o general mandou chamá-lo e perguntou quem ele era, para onde queria ir ao sair dali.

Porto seguro

Teitelbaum que havia perdido toda a família não titubeou:

“Aí disse para ele: ‘eu agradeço muito a bondade do general, mas eu não vou a nenhum lugar. Eu quero ir para a Palestina para fazer um país para judeus para não acontecer de novo isso que aconteceu. Aí sabe o que ele fez? Ele me deu um salto assim com a cabeça como um general, como um soldado. E saiu uma lágrima do olho dele, mas ele se emocionou e foi embora.”

Rafael Teitelbaum conta que a viagem até o sonhado destino passou pela Alemanha, França e outras partes até chegar de navio a um porto seguro.

Hoje, 72 anos depois e aos 90 anos de idade, Rafael Teitelbaum, diz lembrar com precisão dos horrorres vividos pelo Holocausto. O regime nazista matou 6 milhões de judeus e outras minorias.

Família

Como ele conseguiu sobreviver a tanto sofrimento e tragédia?

“Mas eu tinha muito vontade de viver. Até hoje eu tenho isso aqui. Duas coisas eu gosto na vida: a vida e o amor para o próximo.”

E após sobreviver ao campo de concentração, Rafael Teitelbaum viu nascer uma nova nação: Israel. Conheceu Leah com quem se casou e teve três filhos. Após a chegada do primeiro, decidiu se mudar para a América do Sul passou pelo Uruguai mas preferiu fixar residência no sul do Brasil, de onde falou com a ONU News.

E o que o motiva todos os dias? Foi a pergunta que fiz a ele para terminar a entrevista:

“A vontade de viver. Estou hoje com 90 anos e me lembro de tudo, parece que estou vendo por quê? Porque tenho vontade de viver. Eu construí uma família. Tenho três filhos. Sete netos. E agora vou para São Paulo, no mês de fevereiro. Vai nascer a sexta bisneta. Sexta bisneta. Eu estou feliz.”

Rafael Teitelbaum, sobrevivente do Holocausto do campo de Buchenwald, neste Dia Internacional em Memória das Vítimas.

 

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