Novo chefe da FAO em Portugal prioriza cooperação com países africanos

30 dezembro 2016

Francisco Sarmento representa a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação em Portugal e junto à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp; segundo ele, mais da metade dos habitantes do bloco lusófono sofrem com impacto de uma alimentação inapropriada.

Monica Grayley, da ONU News, Nova Iorque.

O novo representante da agência da ONU para Agricultura e Alimentação, FAO, em Portugal acredita que a cooperação entre os países lusófonos é uma vantagem nas ações de combate à fome e de promoção da nutrição adequada.

Em entrevista à ONU News, de Lisboa, Francisco Sarmento afirmou que por compartilharem uma cultura comum, os integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, podem realizar projetos e intercâmbios de forma muito mais rápida. Sarmento é também o representante da FAO junto à Cplp, na capital portuguesa.

Estimativa

“Haverá, provavelmente, um número até superior de pessoas que estão afetadas pela obesidade ou pelas doenças metabólicas, que são doenças que acabam por ser crónicas do que os subnutridos afetados pelo flagelo da fome.  Eu diria, numa estimativa, eventualmente grosseira, que provavelmente metade dos habitantes dos países da Cplp sofrem - direta ou indiretamente -, algum impacto relativamente à alimentação que fazem.”

A Cplp e FAO firmaram uma estratégia de cooperação para zerar a fome nos países do bloco em 2012.  A iniciativa foi assinada por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Para Francisco Sarmento, a proposta já está a render frutos.

Velocidades

“Nós temos um vasto património cultural comum que permite a construção de laços de confiança mais rapidamente do que se não o tivéssemos e permite também identificar um conjunto de prioridades comuns e de ações comuns em que países que estejam, eventualmente, em diferentes velocidades relativamente em relação à solução de alguns problemas possam compartilhar os seus conhecimentos com os demais. E isso eu penso que é uma vantagem muito grande da Cplp.”

Na entrevista que concedeu à ONU News, o novo representante da FAO em Portugal alertou que o trabalho para combater a desnutrição tem que continuar. Segundo ele,  22 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar na Cplp.

 

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