Após ser obrigada a casar aos nove anos de idade, iemenita recomeça a vida
BR

29 dezembro 2016

Shukria é mãe de 10 filhos e perdeu sua casa após marido pedir o divórcio; hoje com 55 anos, ela está no segundo ano da universidade, graças à ajuda do Fundo de População das Nações Unidas.

Leda Letra, da ONU News em Nova York. 

Shukria, uma iemenita de 55 anos, foi obrigada a se casar quando tinha apenas nove anos de idade. Ela contou sua história de luta e superação ao Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa.

O casamento dela foi arranjado para que sua família pudesse quitar uma dívida. O marido tinha 50 anos. Shukria explica que o casamento foi um “pesadelo”, especialmente porque foi obrigada a ter relações sexuais com nove anos e na época, sequer sabia o que estava acontecendo.

Mudança

Ao longo dos anos, ela teve 10 filhos. A família mudou-se do Iêmen para a Arábia Saudita. Shukria vendia artesanato para ajudar o marido a comprar uma casa e 25 anos depois do casamento, a família comprou um imóvel no Iêmen, onde voltou a viver.

Mas logo após o retorno ao país, o marido de Shukria pediu o divórcio, casou-se com outra mulher e vendeu a casa. A iemenita vendeu todo o ouro que tinha e conseguiu comprar o imóvel, mas sua família foi atacada por uma gangue e após muita pressão do ex-marido, ela saiu da residência com os filhos.

Ajuda

Shukria buscou então a ajuda da União das Mulheres Iemenitas, uma entidade parceira do Unfpa. Segundo a agência da ONU, as mulheres no Iêmen são muito vulneráveis a abusos como casamento forçado, pobreza e violência.

No país, elas têm menos acesso do que os homens a serviços médicos, ao crédito e à educação. Em 2013, com o apoio do Conselho Britânio, o Unfpa lançou no Iêmen um programa para dar poder econômico e social a mulheres em situação de vulnerabilidade.

Universidade

Shukria é uma das beneficiadas do projeto e agora está no segundo ano da universidade, estudando Direito e apoio psicológico. A família vive numa pequena casa alugada e apesar das dificuldades, a iemenita sonha em tornar-se uma advogada. Suas filhas também estão na faculdade.

Agora, o Unfpa e entidades parceiras planejam criar um abrigo para mulheres vítimas da violência no Iêmen e segundo a agência, existe a chance de Shukria tornar-se a gerente do local.

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