Grupos armados recrutaram 1,3 mil crianças este ano no Sudão do Sul

15 dezembro 2016

Unicef fala de crianças cada vez mais direcionadas pelo recrutamento; cerca de 17 mil menores já foram usados no conflito que completa três anos; menores mortos ou mutilados durante o período ultrapassam 2,3 mil.

Eleutério Guevane, da ONU News, em Nova Iorque.*

Pelo menos 1,3 mil crianças foram recrutadas para grupos armados do Sudão do Sul em 2016, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

Em nota lançada esta quinta-feira, a agência revela que três anos após o início dos conflitos as crianças continuam a ser recrutadas por Forças Armadas e grupos locais. Cerca de 17 mil menores já foram utilizados no conflito desde 2013.

Acordos 

Os principais envolvidos no conflito são o Exército Popular de Libertação do Sudão, Spla, e o Spla na Oposição. As duas partes já assinaram acordos com as Nações Unidas para acabar com o recrutamento e uso de crianças.

A diretora regional da Unicef para a África Oriental e Austral, Leila Gharagozloo-Pakkala disse que apesar das promessas, os combates pioram e as “crianças são cada vez mais alvos do recrutamento.”

Ela reitera que “desde o primeiro dia dos confrontos os menores foram afetados “da forma mais arrasadora pelas violações”. Este ano, somente 177 crianças foram libertadas por forças e grupos armados, quase 10% do total de 2015.

A agência registou ainda incidentes ocorridos em mais de 300 escolas sul-sudanesas. Em todo o país, o número de menores mortos ou mutilados foi de 2,3 mil e outros 1.130 menores foram vítimas de agressão sexual.

Impacto

Entretanto, as Nações Unidas fazem parte da equipa humanitária no país cujas ações no setor sofreram mais de 100 incidentes somente em novembro. A grande preocupação é com a piora do ambiente operacional.

Recentemente, o diretor nacional do Conselho Norueguês para os Refugiados, NRC, foi expulso do país e um outro funcionário sénior da organização recebeu ordens para deixar o Sudão do Sul.

Após condenar a medida, a equipa humanitária expressou solidariedade ao NRC e pediu que o governo sul-sudanês reverta as decisões. O outro apelo é que Juba coopere totalmente com as entidades internacionais de ajuda ao Sul do Sudão.

*Apresentação: Denise Costa.

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