Ban pede desculpas pelo cólera no Haiti e anuncia novo plano de combate
BR

1 dezembro 2016

Secretário-geral disse que “não foi feito o necessário em relação ao combate à epidemia de cólera e sua propagação”; graças a esforços conjuntos, o impacto geral da doença foi reduzido em 90% desde 2011.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou esta quinta-feira que as Nações Unidas lamentam profundamente a perda de vidas e o sofrimento causado pela epidemia de cólera no Haiti.

Em pronunciamento na Assembleia Geral, Ban disse que em nome das Nações Unidas, ele quer deixar bem claro que a organização pede desculpas ao povo haitiano.

O secretário-geral declarou que “não foi feito o necessário em relação ao combate à epidemia de cólera e sua propagação no Haiti”.

Responsabilidade moral

Ele disse que isso deixa “uma sombra na relação entre as Nações Unidas e o povo haitiano”. Para ele, representa uma mancha também na reputação das tropas de paz e da organização em todo o mundo.

Ban disse que pelo bem do povo haitiano e também da própria ONU, a organização tem a responsabilidade moral de agir e a responsabilidade coletiva de garantir isso.

O chefe da ONU declarou que graças a esforços internacionais e haitianos combinados, o impacto geral dos incidentes causados pela doença foi reduzido em aproximadamente 90% desde 2011.

Cerca de 9 mil pessoas morreram por causa do cólera no Haiti e aproximadamente 800 mil casos foram notificados nos últimos cinco anos.

Segundo o secretário-geral, os fundos necessários para manter esses esforços foram difíceis de serem garantidos e como resultado, o cólera continua tendo um impacto grande sobre o povo haitiano.

Nova Abordagem

Ban afirmou que a nova abordagem da ONU contra o cólera é baseada em duas vias. Serão necessários US$ 400 milhões pelos próximos dois anos para cobrir todas as operações.

A primeira via será intensificar os esforços para responder e reduzir a incidência do cólera.

Segundo ele, “na escala de necessidade humanitária global e de desenvolvimento, é preciso gerar quantias limitadas de dinheiro para eliminar a doença”.

Para Ban, a missão é realista. Ele explicou que o cólera pode ser prevenido, tratado, controlado e eliminado.

Para o chefe da ONU, são necessários recursos adequados e meios de entrega da ajuda e assistência.

O segundo caminho da nova abordagem é a “expressão concreta de arrependimento da organização pelo sofrimento enfrentado pelos haitianos”.

Valores e Princípios

Nesse sentido, Ban propôs um pacote de assistência e apoio às pessoas mais atingidas pela epidemia. Esse disse que alguns sugeriram que esse pacote inclua pagamento em espécie às famílias dos que morreram de cólera.

Segundo ele, esse processo vai exigir a identificação dessas pessoas. Além disso, vai exigir fundos suficientes para que as famílias recebam uma quantia fixa pelas mortes.

O secretário-geral afirmou que serão necessárias mais consultas, enquanto reconhece as dificuldades envolvidas para resolver a situação.

Ban declarou que “quando vários dos valores e princípios das Nações Unidas estão sob ameaça, o desafio do cólera no Haiti representa um teste importante”.

Para ele, é um teste do “compromisso da ONU com os mais vulneráveis, do longo relacionamento com o povo haitiano, da habilidade em demonstrar compaixão e de testar a responsabilidade coletiva para o esforço crucial da manutenção da paz”.

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Foto: ONU/Logan Abassi

Risco ou dificuldadesBan deixou claro que essa nova abordagem não está livre de risco ou dificuldades. Ele disse que eliminar o cólera do Haiti e corresponder à responsabilidade moral dos que foram afetados mais diretamente, vai exigir um compromisso total da comunidade internacional e, fundamentalmente, dos recursos necessários”.

Ban afirmou que “com sua história de sofrimento e trabalho pesado, o povo do Haiti merece esta expressão tangível de solidariedade”.

Segundo o secretário-geral, as Nações Unidas devem aproveitar essa oportunidade para enfrentar uma tragédia que também danificou a reputação e a missão global da organização.

Ele declarou que “as críticas vão persistir a menos que seja feito o que é correto pelos afetados” no Haiti.

Para Ban, uma ação da ONU exige um atuação dos Estados-membros e sem disposição política e apoio financeiro, isso se reduz a “boas intenções e palavras”.

O chefe da ONU afirmou que palavras são poderosas e necessárias, mas elas não podem substituir ação e apoio material.

Ele lembrou que muitas pessoas sofreram gravemente. As Nações Unidas e os Estados-membros têm o poder de reconhecer e responder ao sofrimento.

Ban encerrou o pronunciamento pedindo que todos que aumentem a solidariedade em relação ao dever moral e façam o que é certo para o povo haitiano e para as Nações Unidas.

 

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