ONU denuncia intensificação da violência militar na Síria
BR

21 novembro 2016

No Conselho de Segurança, coordenador humanitário Stephen O’Brien afirma que violência em Alepo e outras cidades é desumana; governo investe em bombardeios e grupos não-estatais lançaram 350 foguetes desde o dia 1º.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Stephen O’Brien, falou sobre a situação na Síria durante reunião no Conselho de Segurança esta segunda-feira.

Segundo ele, os ataques recentes a civis em Alepo e outras cidades foram desumanos, sendo que na última semana foram intensificadas as ações militares em Alepo e zonas rurais, com “consequências arrasadoras para os civis”.

Horror

O’Brien disse que o “horror já é comum”, sendo que “o mundo parece considerar o nível de violência e de destruição como algo normal na Síria”. O representante da ONU denunciou ataques aéreos e bombardeios realizados por forças do governo sírio em Alepo, sendo que a Rússia garantiu que seus ataques são direcionados apenas  às cidades de Idlib e Homs.

Mas somente no leste de Alepo, centenas de civis foram mortos ou feridos na última semana, sendo que praticamente nenhum hospital funciona mais nessa área da cidade.

Mais de 350 morteiros e foguetes foram lançados por grupos armados não-estatais a oeste de Alepo desde 1º de novembro, causando a morte de mais de 60 pessoas.

Falta de comida

No Conselho de Segurança, Stephen O’Brien relatou que as condições humanitárias no leste de Alepo passaram de terríveis para “aterrorizantes”. As últimas porções de comida do Programa Mundial de Alimentos foram distribuídas no dia 13.

Com 275 mil civis sob cerco na cidade, os estoques dos mercados estão escassos e os preços dispararam. Faltam também combustível, gás de cozinha e medicamentos na maioria dos bairros.

Em toda a Síria, o número de pessoas vivendo sob cerco já passa de 974 mil, incluindo em áreas de Alepo, Damasco e na área rural da capital síria.

O’Brien lembrou que o plano apresentado pela ONU na semana passada inclui a retirada de pessoas em condições médicas críticas, a entrega de medicamentos, de alimentos e de outros itens essenciais.

Todos os lados envolvidos no conflito sírio já receberam uma cópia do plano e continuam as discussões para que firmem um acordo. Mas o subsecretário-geral da ONU teme que a retomada da violência represente um retrocesso nos esforços em prol dos que mais precisam de ajuda na Síria.

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