Alternativas agrícolas são essenciais para reduzir efeito estufa
BR

17 outubro 2016

Em novo relatório, FAO destaca que setor agrícola precisa se adaptar diante dos desafios impostos pela mudança climática; agricultura brasileira emitiu quase 442 milhões de toneladas de dióxido de carbono em 2014.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.*

Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, acabar com a fome depende em grande parte de como a agricultura responde a um planeta cada vez mais quente.

A influência da mudança climática no setor agrícola é o foco do relatório “O Estado Mundial da Agricultura e da Alimentação 2016”, lançado esta segunda-feira pela agência.

Resistência

Em Roma, na Itália, onde fica a sede da FAO, o diretor-geral da agência, José Graziano da Silva, explicou que o setor agrícola precisa se adaptar frente aos desafios impostos pela mudança climática.

“Essa adaptação vai muito no sentido de usar tecnologias simples, mais modernas, que ajudem a reduzir, a mitigar os efeitos da emissão de gases. Simples de usar, como práticas de cultivo mínimo, por exemplo, muito difundida hoje na América do Sul toda; uso de variedades resistentes ao calor, que tenham maior capacidade de sintetizar nitrogênio. Tudo isso vai numa direção de tornar uma agricultura mais resiliente, mais resistente aos impactos da mudança climática.”

O relatório destaca que práticas que envolvem a eficiência de nitrogênio poderiam reduzir o número de pessoas em risco de desnutrição em mais de 100 milhões.

Gado

Alternativas de conservação da água em plantações de arroz podem reduzir as emissões de metano em 45%, enquanto as emissões de gases causadas pela criação de gado podem cair  41% por meio de práticas mais eficientes.

Segundo Graziano da Silva, não existem dúvidas de que “a mudança climática afeta a segurança alimentar”, uma vez que os agricultores não têm mais nenhuma garantia de que irão colher o que plantaram.

Isso afeta também o preço dos alimentos, e todos acabam sofrendo com os impactos do aquecimento global, não apenas as pessoas que sofrem com a seca.

O relatório da FAO mostra que o setor agrícola emitiu, em 2014, mais de 5,2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera. O Brasil foi responsável por quase 442 milhões de toneladas dessas emissões.

*Colaborou: Rafael Belincanta, da Rádio Vaticano em Roma.

 

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