ONU diz que redução da pobreza na China deve ter prestação de contas
BR

23 agosto 2016

Em visita de nove dias ao país asiático, relator especial sobre pobreza extrema e direitos humanos, Philip Alston, diz que cidadãos precisam contar com mecanismos para que seus direitos não sejam violados em nome do desenvolvimento; ele elogiou determinação do país.

Mônica Grayley, da Rádio ONU.

O relator das Nações Unidas sobre pobreza extrema afirmou que a China precisa garantir, com mecanismos de prestação de contas, que o direitos dos cidadãos do país não serão afetados por programas de desenvolvimento da nação asiática.

Em comunicado, emitido nesta terça-feira, em Pequim e Genebra, Philip Alston disse que os avanços da China têm ajudado a aliviar a pobreza extrema no país, nos últimos anos. O relator reconheceu ainda as melhorias de bem-estar social e as metas, consideradas ambiciosas, que o país está atingindo.

Desafios

Alston encerrou uma visita de nove dias à China, a convite do governo. Para ele, a liderança do Partido Comunista está enfrentando desafios enormes com a queda do crescimento, desigualdade acentuada e a degradação do meio ambiente. Para o relator, ainda existe uma grande dificuldade para definir o Estado de direito.

Mas segundo Alston, a determinação da China de construir uma sociedade próspera não deve ser motivo de dúvida.

Para ele, a vontade política do país asiático é impressionante e rara  no mundo atual.

2020

O presidente chinês Xi Jinping prometeu eliminar a pobreza extrema até 2020. Em números, isso significa retirar dessa situação cerca de 56 milhões de pessoas que vivem em áreas rurais.

Ainda em seu comunicado, Philip Alston lembrou da represssão a advogados de direitos humanos que começou em julho de 2015 e que tem avançado com sentenças de condenação e uma ineficiência do sistema, além de punições a protestos e novas leis que limitam a atuação de organizações não-governamentais e de fundações estrangeiras.

Para Philip Alston, a China deve estar orgulhosa de seu trabalho na redução da pobreza, mas ao mesmo tempo precisa assegurar a implementação dos direitos econômicos e sociais com mecanismos mais fortes para a participação do cidadão.

Segundo ele, faz parte deste processo também a prestação de contas por parte do governo.

Alston se reuniu com especialistas de direitos humanos, representantes dos governos central, estadual e local além de organizações internacionais e acadêmicos na capital da China, Pequim, e na província de Yunnan.

Ele deve apresentar o resultado dessa visita ao Conselho de Direitos Humanos num relatório em julho de 2017, em Genebra.

 

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