Apesar de enfrentar ano mais difícil desde 2000, África revela crescimento

23 agosto 2016

Economias do continente sofrem efeito da forte dependência de exportações de produtos básicos; secretário executivo da ECA disse que região continua a ser a que mais avança mesmo em quadro de crise.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O secretário executivo da Comissão Económica das Nações Unidas para África, ECA, afirmou que o desempenho do continente distingue-se das outras regiões em tempos de crise.

Falando à Rádio ONU, de Adis Abeba, Carlos Lopes disse entretanto que não há dúvidas quanto ao fraco crescimento em relação ao início do milénio. Mas o especialista é otimista.

Conjunto

“Estatísticas indicam uma baixa de crescimento a nível mundial e não só na África. A última referência que tem vinto a ser mencionada, de 1,6% de previsão de crescimento para este ano, foi feita pelo FMI e diz respeito à África Subsaariana e não ao conjunto da África. O mais importante é dizer que as economias africanas no seu conjunto continuam uma boa performance apesar de este ano ser talvez o ano mais desde 2000 juntamente com o ano 2009 foi o pico da crise de 2008/2009.”

O representante sublinhou a influência de três maiores economias africanas  responsáveis por mais de 60% do Produto Interno Bruto, PIB, no continente. Sem esse conjunto, o resto da região cresce 4,4%.

Média

“Os países africanos seguem a tendência mundial e estão acima em termos de crescimento das médias mundiais. Existe neste particular conjunto de meses que estamos a analisar, os meses que dizem respeito ao segundo e terceiro trimestres deste ano algumas dificuldades acrescidas das três maiorias economias do continente: Egito, Nigéria e África do Sul. Por causa dessas dificuldades acrescidas, podemos analisar cada uma delas, elas fazem baixar a média africana.”

Lopes declarou que a diversificação económica está a acontecer, sendo visível a queda do peso da agricultura e das commodities em vários países. Ele citou os setores de telecomunicações e da inovação “que fazem África diferente da que era há 20 anos”.

Mas destacou que as relações do continente são afetadas por haver economias onde as exportações representam 80% da renda.

Para Lopes, a diversificação deve ir em direção à indústria manufatureira que cria empregos para a juventude de áreas urbanas.

Como defendeu, o aumento considerável da produtividade pode ter ganhos através de agricultura, da indústria manufatureira e da formalização de serviços.

 

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