Jovem sobrevivente do Isil defende ações em vez de discursos contra o grupo
BR

3 agosto 2016

Nadia Murad, da etnia yazidi, foi citada em comunicado da Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre os dois anos do “início do genocído” cometido grupo terrorista islâmico contra mulheres, crianças e homens yazidis no Iraque.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

A Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Síria emitiu nesta quarta-feira uma declaração marcando os dois anos do que o grupo chamou de “início do genocído” cometido pelo movimento terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, contra a minoria yazidi.

Segundo a nota, nas primeiras horas de 3 de agosto de 2014, combatentes do Isil deixaram suas bases e atacaram brutalmente os yazidis no distrito de Sinjar, no noroeste do Iraque. Os yazidis são um dos grupos étnicos mais antigos do país.

Sobrevivente

A declaração cita uma sobrevivente do genocídio do Isil que discursou num evento co-organizado pela Comissão em 24 de junho, em Genebra. Na ocasião, Nadia Murad afirmou que é preciso justiça em vez de palavras.

Para a Comissão, a ativista “não poderia estar mais certa”. Segundo a nota, “é responsabilidade das Nações Unidas e da comunidade internacional agir para interromper o genocídio em curso, cuidar das vítimas e levar os responsáveis à justiça”.

Destruição

No relatório Eles vieram para destruir: crimes do Isil contra os yazidis, divulgado em 16 de junho deste ano, a Comissão determinou que o grupo terrorista islâmico cometeu o “crime de genocídio, assim como múltiplos crimes contra a humanidade e de guerra contra os yazidis”.

Segundo a Comissão, presidida pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, mais de 3,2 mil mulheres e crianças ainda estão sob poder do Isil e sujeitas a “violência quase inimaginável”.

A maioria está na Síria, onde mulheres e meninas yazidi continuam sendo “sexualmente escravizadas”; os meninos, usados nos combates. Milhares de homens e meninos yazidi permanecem desaparecidos.

Recomendações

Nesta quarta-feira, a Comissão pede atenção não apenas em suas conclusões, mas nas recomendações às Nações Unidas, ao governo da Síria e à comunidade internacional sobre o resgate, proteção e cuidados à comunidade yazidi.

Segunda a declaração, a principal delas é a recomendação ao Conselho de Segurança de que leve a situação à justiça, ao Tribunal Penal Internacional ou a um tribunal ad hoc com jurisdição geográfica e temporária relevantes.

Para a nota, esta ação seria em questão de urgência e de acordo com as obrigações individuais de cada Estado sob a Convenção sobre Genocídio.

Leia e Ouça:

"Conversas políticas não podem prosseguir com sírios passando fome"

ONU diz que Isil está cometendo genocídio contra minoria yazidi

No Conselho de Segurança, Ban alerta sobre violência sexual como terrorismo 

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud