ONU quer pausa semanal humanitária por 48 horas na Síria
BR

25 julho 2016

Subsecretário-geral para Assuntos Humanitários falou ao Conselho de Segurança sobre situação no local onde vivem cerca de 250 mil pessoas; última via de acesso à área foi fechada por conta dos combates; Stephen O’Brien disse que cerco seria “medieval e vergonhoso”.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

O Conselho de Segurança se reuniu nesta segunda-feira sobre a situação no Oriente Médio e implementação de resoluções do órgão.

Durante a sessão, o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Stephen O’Brien, destacou a situação dos civis na Síria.

Realidade Sombria

“Verdade seja dita”, disse O’Brien, “palavras não são adequadas para descrever a realidade sombria e brutal para as pessoas na Síria hoje”.

Ele citou uma declaração recente do alto comissário da ONU para Refugiados que disse que “o número de crimes de guerra já cometidos ultrapassam os piores pesadelos”.

Alepo

Stephen O’Brien declarou ainda estar a “profundamente alarmado” pelos “acontecimentos perturbadores” na cidade de Alepo e em seus arredores.

O subscretário-geral citou ataques e ressaltou que desde 7 de julho, o movimento de civis, humanitário e comercial entrando e saindo do leste de Alepo foi interrompido.

A última via de acesso para o local foi fechada por conta dos combates. Na área vivem entre 250 mil e 275 mil pessoas.

Medieval e Vergonhoso

O’Brien afirmou que as Nações Unidas e seus parcerios posicionaram estoques de ajuda humanitária, na expectativa “triste, mas realista” de que isto aconteceria.

Segundo ele, a comida no leste de Alepo deve acabar em meados do próximo mês, mencionando também preocupação com ataques a instalações de saúde. E fez um alerta.

“A comunidade internacional simplesmente não pode deixar que o leste da cidade de Alepo se torne mais uma, e de longe a maior área sitiada. Isto é medieval e vergonhoso”, declarou o subsecretário-geral.

Chamado à Ação

Ele pediu a todos os envolvidos e os que têm influência que ajam imediatamente para estabelecer uma “pausa humanitária semanal de 48 horas no local para que a ONU e os parceiros tenham acesso regular e seguro a 250 mil pessoas presas atrás da linha de combate”.

Para O’Brien, este deve ser um “chamado de toda a ONU”. Não apenas dele, como chefe humanitário da organização, mas  “deve vir do Conselho de Segurança”.

Escalada da Violência

O’Brien afirmou ainda que houve uma escalada da violência e dos combates em diversas partes do país nas últimas semanas resultando em mortes, ferimentos e deslocamento de civis”

O subsecretário-geral mencionou também um recente relatório da Organização Mundial da Saúde, OMS. O documento indica que cuidados de saúde são atacados na Síria mais do que em qualquer outro lugar do planeta.

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