Vice-chefe humanitária seguiu o drama de vítimas do El Niño na África Austral

22 julho 2016

Situação em Madagáscar e Malaui foi acompanhada por Kyung-wha Kang após mobilização de doadores em Londres; Angola e Moçambique estão entre as nações mais expostas ao impacto do fenómeno climático.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

A secretária-geral assistente da ONU para Assuntos Humanitários, Kyung-wha Kang, apelou a uma ação urgente de governos e de doadores para ajudar milhões de afetados pela seca severa na África Austral.

A declaração foi feita esta sexta-feira em Antananarivo, no Madagáscar, o último ponto de uma digressão que incluiu o Malaui e o Reino Unido.

Insegurança Alimentar

A região malgaxe de Grand Sud destaca-se pela falta de investimentos e pela extrema pobreza crónica. Pelo menos 1,1 milhão de habitantes enfrentam insegurança alimentar. Outras 665 mil pessoas carecem de assistência urgente.

Em todo o país, a taxa de nanismo em menores de cinco anos chega a 47%, a mais alta da África Austral.

Angola e Moçambique

O Malaui declarou estado de desastre nacional em abril. Cerca de 6,5 milhões de pessoas não têm alimentos suficientes até o fim do ano. O número corresponde a cerca de 40% da população.

A nota realça Angola e Moçambique entre as nações severamente afetadas pelo impacto do El Niño, juntamente com os dois países visitados pela representante, a Suazilândia e o Zimbabué.

As condições relacionadas ao fenómeno climático “pioraram a vulnerabilidade já existente criando uma grave falta de alimentos”. Trata-se da pior seca em 35 anos, que deixou 40 milhões de pessoas a passar por insegurança alimentar.

Seca

A produção agrícola foi prejudicada e quase 500 mil animais morreram devido à seca e ao minguar das fontes e reservatórios de água.

A visita de Kang ao Malaui e ao Madagáscar ocorreu logo após uma reunião de doadores e agências em Londres onde a representante abordou os efeitos do El Niño na região austral africana.

Escassez

Ao liderar o encontro, ela pediu aos doadores internacionais e aos parceiros de desenvolvimento que se juntem aos esforços “para fazer algo mais para deter os efeitos do El Niño na região”, destacando que a resposta é urgente.

De acordo com a ONU cerca de 2,7 milhões de crianças enfrentam desnutrição aguda grave na África Austral.

A previsão é que o número aumente “de forma significativa se não houver assistência imediata”, porque a insegurança alimentar deve culminar na chamada época de escassez, que vai de outubro de 2016 a março de 2017.

*Apresentação: Michelle Alves de Lima.

 

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