Unmiss cita abusos de direitos humanos durante escalada dos combates

30 junho 2015

Missão da ONU afirmou ter encontrado evidências de violações supostamente cometidas pelo Exército Popular de Libertação do Sudão, Spla, e grupos armados associados durante recente escalada dos combates no estado de Unidade.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul, Unmiss, afirmou ter encontrado evidências de abusos generalizados dos direitos humanos supostamente cometidos pelas forças armadas sul-sudanesas e grupos armados associados.

As violações teriam acontecido durante a recente escalada dos combates no estado de Unidade.

Entrevistas

Equipas da Unmiss entrevistaram 115 vítimas e testemunhas dos condados de Rubkona, Guit, Koch, Leer e Mayom onde o Exército Popular de Libertação do Sudão, Spla lançou, no fim de abril, uma grande ofensiva contra forças armadas de oposição.

Os sobreviventes destes ataques relataram que o Spla e milícias aliadas realizaram uma campanha contra a população local, a matar civis, saquear e destruir aldeias e deslocar mais de 100 mil pessoas.

Algumas das alegações “mais preocupantes” compiladas pelos especialistas em direitos humanos da Missão da ONU davam enfoque ao rapto e abuso sexual de mulheres e meninas. Segundo relatos, algumas delas foram queimadas vivas em suas casas.

Crueldade

O relatório da Unmiss afirma que “esta recente escalada nos combates não foi apenas marcada por alegações de mortes, estupros, sequestros, saques, incêndios criminosos e deslocamento, mas por uma nova intensidade e brutalidade”.

Segundo o documento, “o escopo e o nível de crueldade que tem caracterizado os relatos sugere uma profundidade de antipatia que excede diferenças políticas”.

Acesso Negado

A Missão da ONU buscou visitar os locais das supostas atrocidades para verificar as alegações, mas além de obstáculos logísticos, em muitas ocasiões teve acesso negado pelo Spla.

Desde que o relatório foi produzido, especialistas em direitos humanos da Unmiss visitaram dois outros locais onde supostamente teriam ocorrido atrocidades. A equipa também conduziu mais entrevistas com vítimas e testemunhas.

Segundo a Missão, as informações recolhidas nestas visitas forneceram evidências adicionais que corroboram relatos anteriores.

Revelar a Verdade

A representante especial do secretário-geral no Sudão do Sul e chefe da Unmiss pediu ao Spla que permita que os especialistas em direitos humanos tenham acesso aos locais onde houve relatos de violações.

Para Ellen Margrethe Loej, “revelar a verdade do que aconteceu oferece a melhor esperança para garantir prestação de contas para violência tão terrível e encerrar o ciclo de impunidade que permite que esses abusos continuem”.

Leia Mais:

Sudão do Sul: exército nega acesso de monitores para apurar abusos

Unicef: surto de cólera é risco para crianças no Sudão do Sul

Complexos da ONU no Sudão do Sul abrigam mais de 138 mil pessoas

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud