África do Sul: Aiea revela apoio para melhorar aleitamento materno exclusivo

3 junho 2015

Método nuclear não-radioativo ajuda pesquisadores a obter dados precisos sobre o aleitamento materno exclusivo no país; eficácia do novo projeto ajuda mães a resistir às pressões externas para introduzir prematuramente alimentos complementares à dieta dos bebés.

Michelle Alves de Lima, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

Bebés na África do Sul que antes corriam o risco de má nutrição, de doenças e até de morte têm agora mais possibilidades de sobreviver graças à ajuda da Agência Internacional de Energia Atómica, Aiea.

Através da formação e do financiamento oferecido pela agência da ONU, pesquisadores no país passaram a usar um método nuclear não-radioativo para obter dados precisos sobre o aleitamento materno exclusivo no país.

Amamentação Exclusiva

Segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS, crianças amamentadas com o leite materno são mais resistentes a doenças e infeções. Pesquisas demonstram ainda que elas têm menos probabilidades de desenvolver diabetes, doenças cardiovasculares e cancro ao longo da vida.

A OMS recomenda a amamentação exclusiva com leite materno ao bebé do nascimento até os seis meses.

Na África do Sul, enquanto as pesquisas indicavam que a frequência de amamentação com leite materno era crescente, o índice de mortalidade infantil não demonstrava uma queda proporcional.

De acordo com um estudo divulgado em 2008 pela Universidade sul-africana de KwaZulu-Natal, as taxas de aleitamento materno exclusivo no país eram de 6% em bebés de até três meses e apenas 1% aos seis meses de idade.

Diluição de Deutério

Em 2012, a Universidade implementou um programa de tutoria a longo prazo. Um dos componentes era a formação simultânea das mães como conselheiras de aleitamento materno.

O projeto incluía o uso da técnica de diluição de deutério, instituída em 2010 por pesquisadores da África do Sul com ajuda e investimento da Aiea.

O procedimento permite que pesquisadores validem as práticas de amamentação reportadas pelas mães.

Através de análise da saliva da mãe e do bebé, esse método é capaz de mostrar a quantidade de leite materno ingerida pela criança, e também se algum alimento complementar foi ingerido durante o período de avaliação, que dura duas semanas.

Práticas

Como contou uma professora da Universidade de KwaZulu-Natal, Anna Coutsoudis, “a diluição de deutério foi usada para validar as práticas de amamentação reportadas”.

Com isso os pesquisadores puderam mostrar que o programa de tutoria aliado ao aconselhamento tiveram grande impacto na melhoria das taxas de aleitamento materno exclusivo.

Exagero

Os resultados obtidos com a técnica financiada pela Aiea mostraram que os relatos das mães ouvidas para as pesquisas sobre amamentação exclusiva eram, na verdade, exagerados.

Ao fim do programa, os números revelaram uma melhora significante: aproximadamente 33% dos bebés estavam a ser amamentados exclusivamente com leite materno até os três meses, enquanto 13,7% consumiam somente o leite da mãe até os seis meses.

O novo projeto tem sido tão eficaz que, segundo Coutsoudis, “as mães estão a conseguir resistir às pressões externas para introduzir prematuramente alimentos complementares à dieta dos bebés”.

*Apresentação: Denise Costa.

 

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