Cabo Verde apela ao compromisso político e instituições fortes

15 outubro 2014

Sugestões seriam para confrontar os considerados grandes desafios do continente; ministra cabo-verdiana das Finanças esteve no Fórum de Desenvolvimento africano, que decorre até quinta-feira em Marraquexe.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque. 

Cabo Verde defende que o compromisso político e instituições africanas fortes são a chave para gerir questões como desigualdade económica, fluxos financeiros ilícitos e mudanças climáticas.

As declarações foram feitas pela ministra cabo-verdiana das Finanças, Cristina Duarte, à margem do Fórum de Desenvolvimento de África. O evento, organizado pela Comissão Económica das Nações Unidas para o continente, ECA, termina esta quinta-feira em Marraquexe.

Boa Governação

Duarte disse que a solução para a desigualdade económica está na vontade política para fazê-lo e admitir que a África precisa atualmente de adotar a boa governação transfronteiriça, responsabilidade e transparência.

A governante fez menção ao exemplo de Cabo Verde, como pequeno estado insular sem muitos recursos naturais mas que alcançou o estatuto de país de rendimento médio.

Destacou ainda evolução cabo-verdiana nos rankings de negócios do Banco Mundial, após uma série de reformas da regulamentação e do ambiente de negócios.

Crescimento

Duarte destacou que os investimentos para reforçar instituições e a capacidade institucional sustentam o desenvolvimento e lançam as bases para o crescimento.

Mas frisou que deve ser evitada a chamada “armadilha da renda média”, onde após atingir um certo nível de desenvolvimento, um país entra em estagnação pela falta de diferenciação ou de especialização.

Para contornar o problema, Duarte recomendou maior consistência do ponto de vista das políticas públicas.

Perdas

A ministra apontou ainda a questão dos fluxos financeiros ilícitos e de instituições debilitadas que fazem perder milhares de milhões de dólares anualmente no continente.

Para Duarte, o setor privado não deve liderar o combate aos fluxos financeiros ilícitos que deve basear-se na reforma institucional. Ela reconheceu que tais melhorias não serão rápidas mas acabariam por gerar frutos.