OMS: grupos de risco não recebem tratamento adequado contra HIV
BR

11 julho 2014

Pela primeira vez, Organização Mundial da Saúde recomenda fortemente uso preventivo de antirretrovirais para homens que fazem sexo com homens; agência lança recomendações de prevenção e tratamento.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 

A falta de serviços adequados de HIV para grupos-chave ameaça os progressos de resposta ao vírus, segundo a Organização Mundial da Saúde.

A agência lançou esta sexta-feira uma série de recomendações aos países para prevenção, diagnóstico e tratamento de quem tem mais risco de adquirir Aids.

Drogas

De Genebra, a diretora de Direitos e Gênero do Unaids, o Escritório Conjunto da ONU para HIV/Aids, Mariângela Simão, explicou à Rádio ONU quem são essas pessoas. 

“As trabalhadoras sexuais, homens que fazem sexo com homens, usuários de droga injetável e no caso dessas guias para prevenção, diagnóstico e tratamento de populações vulneráveis, também inclui pessoas que estão em prisões.”

Barreiras

Segundo a agência da ONU, em muitos países, pessoas nestes grupos de risco estão fora dos planos nacionais de HIV. Além disso, políticas e leis discriminatórias geram barreiras a serviços de prevenção ou tratamento da Aids.

Pela primeira vez, a OMS recomenda fortemente a homens que fazem sexo com outros homens que tomem medicamentos antirretrovirais em conjunto com o uso de preservativos para evitar o HIV.

Política

A especialista Mariângela Simão afirma que a epidemia neste grupo está aumentando em vários países, em especial entre jovens homossexuais.

“Principalmente a população jovem se sente menos em risco e de uma certa forma banaliza a Aids como uma coisa que hoje é tratável. São dois medicamentos utilizados em combinação, que a gente chama de profilaxia pré-exposição. O Brasil foi um dos países onde esta profilaxia foi estudada e mostrou ter benefícios para quem toma (os medicamentos) todos os dias. Houve em torno de 40% a 44% de não-transmissão. É mais uma opção terapêutica para este grupo.”

A especialista do Unaids, Mariângela Simão, menciona que um desafio é os países sustentarem este tipo de política. Em caso de recursos escassos, as políticas nacionais devem sempre priorizar o acesso a antirretrovirais para quem já tem o HIV.

Segundo a OMS, trabalhadoras sexuais tem 14 vezes mais chances de contrair o vírus do que a população geral. A probabilidade para homens que fazem sexo com homens é 19 vezes maior e no caso dos transgêneros, os riscos aumentam em 50 vezes.

 

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