Apelo ao uso de meios disponíveis para conter cancro cervical em África

12 dezembro 2013

Estudo diz que continente regista mais de 520 mil novos casos anuais; a nível global registadas mais cerca de 1,5 milhão de pessoas com cancro nos últimos cinco anos.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O diretor da Agência Internacional para Pesquisa sobre o Cancro, Iarc, pediu que sejam usados equipamentos para detetar o cancro cervical nos países menos desenvolvidos para baixar as mortes de forma significativa.

Christopher Wild disse haver soluções de baixa tecnologia. Para o especialista, recursos como a vacinação contra o HPV devem ser combinados com programas nacionais bem organizados de despiste e tratamento.

Mortalidade

Dados de um relatório da Iarc publicado, esta quinta-feira, em Genebra, destacam a incidência, a mortalidade e a prevalência do cancro.

A entidade ligada à Organização Mundial da Saúde indica que 22,5 em cada 100 mil pacientes morrem de cancro do colo do útero na África Subsaariana. Na América do Norte a cifra ronda os 6,6 e 2,5 por 100 mil mulheres.

Desigualdade

Em entrevista à Rádio ONU, da cidade brasileira de São Paulo, o diretor do Centro Oncológico do Hospital Beneficência Portuguesa, Fernando Maluf, reconhece progressos mas aponta a questão da desigualdade.

“Esses avanços não chegaram nos países subdesenvolvidos. Só para se ter uma ideia, uma mulher com um cancro do colo do útero na África tem uma chance de morrer seis vezes mais do que nos Estados Unidos. Claramente esses avanços não chegaram de modo impactante populacional nesses países.”

Novos Casos

Considerado como uma das causas evitáveis da morte de mulheres na África subsaariana, o cancro do colo do útero regista 528 mil novos casos anuais.

Trata-se do quarto cancro mais comum nas mulheres de todo o mundo depois do cancro da mama, colorrectal e do pulmão.

Obesidade

O estudo aponta para 14,1 milhões de novos casos de cancro no mundo em 2012, cerca de 1,5 milhão a mais do que há cinco anos. Fernando Maluf aponta factores por detrás da subida de casos.

“Existe, na verdade, como factor mais importante para esse aumento de aproximadamente 20% dos tumores, uma mudança no estilo de vida, que vem ocorrendo nos últimos anos. O estilo de vida vem piorando, tanto na parte dietética, quanto na parte do número de obesos hoje no mundo e também na parte da poluição, que é um factor extremamente importante e contribuinte para vários tumores, como o tumor de pulmão. A obesidade é responsável por 1/3 dos tumores do mundo inteiro.”

Os países em desenvolvimento registam cerca de sete em cada dez casos do cancro do colo do útero, com a Índia a representar mais de um quinto dos novos casos diagnosticados.

 

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