FAO pode autorizar uso de vírus de peste bovina para pesquisas

10 julho 2013

Potencial para melhorar segurança alimentar sem pôr em risco erradicação é uma das condições da moratória; pesquisa aponta casos de depósito com níveis de biossegurança inadequados.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O uso do vírus vivo da peste bovina em pesquisas aprovadas foi adotado numa moratória da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, e a Organização Mundial de Saúde Animal, OIE.

Apesar de a doença ter sido oficialmente erradicada em 2011, cerca de 40 laboratórios mantêm estoques do agente. Uma pesquisa do ano passado aponta que, em alguns casos, os níveis de biossegurança são inadequados.

Potencial

Um dos requisitos mais importantes para a utilização das amostras nas pesquisas é que estas tenham um “potencial significativo para melhorar a segurança alimentar, reduzindo o risco de recorrência da doença.”

As duas entidades consideram que a maior ameaça à eliminação global da peste bovina é a libertação acidental do vírus, a partir de um dos laboratórios onde este é conservado. O fenómeno poderia ocorrer devido ao manuseamento inadequado.

Material

A moratória, anunciada esta quarta-feira, substitui uma proibição total anterior ao tratamento do vírus. Após a erradicação, foi aprovada uma resolução proibitiva à manipulação de material contendo o vírus da peste bovina sem aprovação das autoridades nacionais, da FAO e da OIE.

Com o documento, as duas entidades devem pôr em prática os critérios e as medidas a serem seguidas para aprovar as propostas de pesquisa usando o vírus da peste bovina ou os seus materiais.

Destruição

Um Comité Consultivo Conjunto sobre a peste bovina, composto por sete peritos, deverá avaliar as propostas de pesquisa sobre o tema além de  encaminhar as recomendações para a FAO e a OIE.

O chefe do Serviço Veterinário da agência da ONU, Juan Lubroth, reafirmou abertura em apoiar os países na destruição ou proteção das amostras do vírus da peste bovina, para evitar que seja libertado para o meio ambiente natural.

Para exemplificar a necessidade de “um olhar atento” sobre as amostras, o responsável lembrou que, há mais de 30 anos, após a erradicação da varíola em seres humanos, uma operação cuidadosa permitiu que este fosse mantido em apenas dois locais de alta segurança.

*Apresentação: Denise Costa.

 

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