Entrevista: Maria Luiza Ribeiro Viotti

20 maio 2013

Mônica Villela Grayley e Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova York.

A primeira mulher a liderar a Missão do Brasil nas Nações Unidas está se despedindo do posto. Após passar mais de seis anos em Nova York, Maria Luiza Ribeiro Viotti deixa o cargo rumo à Alemanha. E ali, voltará a fazer História ao se tornar a primeira líder feminina da representação diplomática brasileira em Berlim.

Desde que chegou à ONU, em 2007, a embaixadora se destacou por vários sucessos, como por exemplo, o recorde em número de eleições e reeleições para importantes áreas da organização. Protagonizando uma estratégia vencedora, Ribeiro Viotti ajudou a reconduzir o Brasil à liderança de comissões-chave como o Comitê para Eliminação de Todas as Formas de Discriminação a Mulheres, Cedaw.

Líbia

Durante 2010-2011, o país ocupou um assento rotativo no Conselho de Segurança e decidiu ao lado dos demais membros do órgão, resoluções que selaram o destino de crises políticas como a da Líbia.

Presidente da estratégia de paz para a Guiné-Bissau dentro da Comissão de Consolidação da Paz da ONU, a embaixadora brasileira viajou, várias vezes, ao país africano de língua portuguesa, e foi uma das vozes mais ativas ao pedir a restauração da ordem constitucional, na nação do oeste da África, após o golpe militar de 12 de abril de 2012.

Ao ser perguntada sobre as lembranças que levaria de Nova York, Maria Luiza Ribeiro Viotti respondeu: "Para mim foi um privilégio poder representar o Brasil nas Nações Unidas e ver de perto o papel indispensável desta organização, e também os valores das Nações Unidas que são valores com os quais o Brasil se alinha como a proteção da paz e da segurança, a defesa dos direitos humanos, do desenvolvimento etc."

Ao mencionar a cooperação do Brasil com a ONU, nos últimos anos, ela lembrou da realização da maior conferência da organização, a Rio + 20, que marcou os 20 anos da primeira reunião da ONU sobre mudança climática, ECO 92, no Rio de Janeiro. Ribeiro Viotti destacou ainda a liderança brasileira das tropas das Nações Unidas no Haiti, Minustah, o comando naval do Brasil com a Unifil, a força na ONU no Líbano, e a recém-confirmada indicação do general Carlos Alberto dos Santos Cruz para comandar a Monusco, as tropas de paz na República Democrática do Congo.

Maria Luiza Ribeiro Viotti

Combate à Fome

Segundo a embaixadora, "o crescimento do Brasil e as conquistas do país no combate à pobreza têm possibilitado uma contribuição ainda maior" do país em iniciativas de ajuda humanitária e combate à fome em outras nações em desenvolvimento. Nos últimos anos, o brasileiro José Graziano da Silva conquistou a chefia de da FAO. Já a Organização Mundial do Comércio, OMC, será comandada pelo embaixador Roberto Azevêdo, a partir de setembro.

A cooperação do Brasil com outros países emergentes como Índia e África do Sul, e com nações de língua portuguesa como Timor-Leste e os países africanos lusófonos também foram mencionados pela diplomata.

Ribeiro Viotti terminou a entrevista lembrando que o Brasil tem investido na colaboração com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, com intercâmbios de estudantes, pesquisa e projetos nas áreas de agricultura, comércio e cultura. Segundo ela, partilhar a mesma língua e ter uma história em comum ajudam a fortalecer estes laços com outras nações lusófonas. A Cplp, com sede em Lisboa, tem uma representação em Nova York, e busca reunir todos os representantes do bloco para trabalhos de colaboração e outras atividades nas Nações Unidas.

Uma dessas cooperações ocorrem, muitas vezes, durante eleições para importantes órgãos da ONU, e nas quais, em algumas ocasiões, os países da Cplp discutem suas intenções de voto de forma consensual. No momento, o grupo está sendo liderado por Moçambique, que assumiu a presidência rotativa da entidade no ano passado.

Acompanhe a conversa com Mônica Villela Grayley.

Duração: 12:36"

 

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