Somália tida como modelo de parcerias para combate à fome, diz FAO

9 outubro 2012

Agência realça papel de integração para o sucesso do combate à fome; em todo o mundo cerca de 870 milhões de pessoas continuam famintas.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O diretor-geral da Organização da ONU para Agricultura e Alimentação, FAO, disse que ações integradas ditaram sucessos no combate à fome na Somália.

José Graziano da Silva falava esta terça-feira, em Roma, após o lançamento  do novo relatório das Nações Unidas. O documento, revela que cerca de 870 milhões de pessoas continuam a passar fome em todo o mundo.

Sahel

O modelo de parceria envolvendo várias agências  no país do Corno de África, é tido como modelo para abordar o problema em regiões como o Sahel.

Falando à Rádio ONU, da capital italiana, Graziano da Silva destaca ganhos da coordenação entre a agência, o Programa Mundial da Alimentação, PMA, e o Fundo da ONU para a Agricultura, Fida.

Fome Generalizada

“Um lugar exemplar do trabalho conjunto da FAO e do PMA é a Somália onde em 8 meses conseguimos tirar o país da situação do grau de fome generalizada, com medidas de apoio à pequena produção, com um programa de pagamento para o trabalho, que resultaram em reparação de pequenas rodovias, de canais de irrigação e de recuperação de áreas de pastagem. Esse trabalho integrado foi considerado modelo para outras áreas como, por exemplo, o Sahel, onde também estamos trabalhando juntos.”

Conflitos e calamidades naturais são tidos como principais os responsáveis pela fome no continente, aliados à falta de políticas de promoção do desenvolvimento agrícola. Nesse âmbito, o Gana foi destacado como exemplo de sucesso.

Problemas

“Infelizmente, nas regiões da África Subsaariana e no Chifre da África vimos um aumento do número de pessoas com fome. É uma região em que temos enfrentado todos os tipos de problemas como secas, inundações, conflitos e vai na contramão da tendência geral da redução da (fome). Mas mesmo na África temos boas notícias: Gana, por exemplo, reduziu a fome em 87%, Mali, antes do conflito, tinha uma redução de 44% e Camarões de 35%.

De acordo com o documento “Estado da Insegurança Alimentar no Mundo 2012”, cerca de 100 milhões de crianças com menos de cinco anos estão abaixo do peso por falta de alimentação suficiente.

O documento realça ainda o facto de cerca de 852 milhões da vítimas da fome estarem a viver nos países em desenvolvimento.

*Com reportagem de Rafael Belicanta, da Rádio Vaticano em Roma.

 

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