Relatores da ONU preocupados com prisão de centenas de cristãos no Irã
BR

20 setembro 2012

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

Dois relatores de direitos humanos da ONU afirmaram que estão “profundamente preocupados” com a situação das igrejas cristãs no Irã, especialmente denominações evangélicas.

Em comunicado, emitido nesta quinta-feira, Ahmed Shaheed, relator da situação dos direitos humanos no Irã, e Heiner Bielefeldt, relator especial sobre liberdade de religião, afirmaram que centenas de cristãos foram presos nos últimos anos.

Pena de Morte

Os dois especialistas elogiaram a libertação do pastor Youcef Nadarkhani, que havia sido condenado à pena de morte no Irã após ser acusado de apostasia.  Mas segundo eles, “o clima de medo atual”, na forma em que muitas igrejas cristãs operam, tem que ser aliviado.

Ainda segundo o comunicado, Nadarkhani passou três anos preso por acusações, que, na opinião do pastor, não seriam consideradas crime de acordo com o atual Código Penal iraniano.

Para os relatores, a decisão do Irã de libertar o religioso é louvável, mas ao mesmo tempo é preciso saber porque alguém passa três anos preso, aparentemente, por praticar uma religião.

Tratados Internacionais

Bielefeldt e Shaheed lembraram que a prática da religião é um direito garantido pela Constituição do Irã e por tratados internacionais, que o Irã ratificou em 1975.

O pastor Nadarkhani, filho de pais muçulmanos, se converteu ao cristianismo com 19 anos e se tornou membro de uma igreja evangélica na cidade de Rasht. Ele foi preso em outubro de 2009, acusado de apostasia. Em setembro de 2010, ele foi condenado à pena capital por divulgar o evangelho.

Para evitar ser morto por enforcamento, o pastor teria que renunciar sua fé em Jesus Cristo. Ele não aceitou a condição e no início deste mês, as autoridades iranianas mudaram a sentença condenando o pastor a três anos de prisão, o que ele já serviu.

Outros Grupos

Os relatores da ONU dizem que com base em entrevistas com ONGs de direitos humanos, existem 300 cristãos presos no Irã desde junho de 2010. E dezenas deles foram detidos sem qualquer acusação oficial.

Para os especialistas, o Governo de Teerã deve garantir aos cristãos e a qualquer grupo o direito à prática e liberdade da escolha religiosa.

Os dois encerraram o comunicado pedindo proteção ainda para outras minorias religiosas do Irã como as comunidades Bahai, Yarsani e Dervish.

 

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