Apelo à intervenção internacional para conter “castigos cruéis” no Mali

17 setembro 2012

Delitos apresentados pela alta comissária da ONU para os Direitos Humanos incluem apedrejamento até a morte, execuções sumárias, o recrutamento de crianças-soldado.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Cerca de 30 acusados de delitos que atentem contra os direitos humanos aguardam punição no norte do Mali.

A informação foi dada, nesta segunda-feira, em Genebra num discurso da alta comissária da ONU para os Direitos Humanos.

Violações

Navi Pillay condenou as contínuas violações que incluem “castigos cruéis como amputações”, e pediu uma solução urgente da crise ao Governo e à comunidade internacional.

O pronunciamento, apresentado ao Conselho dos Direitos Humanos, refere que pelo menos sete homens sofreram amputações levadas a cabo por milícias do Movimento para a Unidade da Jihad da África Ocidental, Mujao, e o grupo Ansar Dine.

Execuções

A representante refere-se ainda a “graves violações dos direitos humanos e, possivelmente, de crimes de guerra” cometidos na região. As punições incluem o apedrejamento até a morte, execuções sumárias, o recrutamento de crianças-soldado bem como a violação dos direitos das mulheres.

Relatos citados por Pillay indicam também a limitação de direitos das crianças, da liberdade de expressão, dos direitos à alimentação, saúde, educação, à liberdade de religião e de crença e os direitos culturais.

Abusos

Pillay também apontou a ocorrência de uma série de abusos dos direitos humanos e alegadas violações do direito internacional humanitário, apelando à ação urgente a nível nacional e internacional. A situação de instabilidade política é tida como fator que impulsiona a violência.

Fontes humanitárias estimam que pelo menos 30 mulheres de idades compreendidas entre 12 e 45 anos teriam sido vítimas de violência sexual  perpetrada por homens armados na região de Gao.

Saúde Pública

Os militares Mujao também teriam, alegadamente, banido campanhas de saúde pública na prevenção da cólera que usem música e outras mensagens de agências humanitárias defendendo serem contrárias à lei islâmica, Sharia.

Fala-se igualmente de suspensão de principais programas médicos nas regiões de Timbuktu, Gao e Kidal.

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud