Índice de preço dos alimentos fica inalterado entre julho e agosto
BR

6 setembro 2012

Segundo a FAO, após três meses de declínio, taxa ficou a 6% nos últimos dois meses; diretor-geral da agência, José Graziano da Silva, afirma que não há sinais de crise alimentar no momento.

Rafael Belincanta, de Roma para a Rádio ONU.*

A produção de biocombustíveis a partir do milho, nos Estados Unidos, e a situação da seca no país que afetou as colheitas do cereal voltaram a ser mencionados pelo diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva.

O ex-ministro brasileiro participou, nesta quinta-feira, da apresentação do índice geral dos preços globais dos alimentos pela FAO, em Roma. O diretor-geral disse que não existe antagonismo no caso da produção americana.

Cereais

“Não há um ‘trade off’ para entregar alimento para os seres humanos ou combustível para os carros. Não é isso que está em jogo. O biocombustível entrou nos países que o produzem a partir dos cereais – que não é o caso do Brasil – porque havia um excedente de milho a preços muitos baixos que o governo tinha que comprar, estocar e subsidiar.

E pagava altos preços pelos subsídios. O uso naquele momento do excedente de milho era muito bom. Agora a situação mudou bastante. Temos um mercado com dificuldades e em função disso, o apelo internacional é para uma flexibilização do uso de cereais e oleaginosas”.

Crise

Em agosto, o preço mundial dos principais itens de consumo básico manteve-se equilibrado após a alta de 6% em julho, que levantou rumores de uma possível crise alimentar mundial. Mas para a FAO, o mundo teria aprendido importantes lições em 2008 e por isso não há motivos para alarmes.

“Não há sinais de crise alimentar, não há nenhuma razão para falar em crise alimentar neste momento.”

José Graziano da Silva

Apesar de descartar uma crise alimentar mundial, a exemplo do que aconteceu entre 2008 e 2009, o chefe da FAO, Graziano da Silva, mostrou-se preocupado com a retração das doações da comunidade internacional para a África, o que tem um forte impacto sobre a situação da segurança alimentar no continente.

Ajuda Externa

“Eu faço de novo um apelo para que os países mantenham seus programas de ajuda internacional. Especialmente no caso da África, onde estamos trabalhando para aumentar a produção local de produtos locais. A África produz mandioca com facilidade, produz feijão em algumas áreas também com facilidade, além de outras raízes e tubérculos que poderiam ajudar muito neste momento.

Estamos preocupados especialmente com a importação de trigo, por exemplo, por países como a Mauritânia, mas a FAO está trabalhando em programas de contigência para ajudar esses países”.

Segundo a agência da ONU, a alta no preço dos alimentos, desta vez, está sendo motivada pela seca nos Estados Unidos e outras partes do mundo, e também por cheias, especialmente na Ásia. No início desta semana, a FAO pediu aos países produtores que não retenham alimentos e não imponham restrições às exportações.

*Com reportagem da Rádio Vaticano.

 

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