Obituário: Malam Bacai Sanhá
BR

10 janeiro 2012

Estudante universitário na ex-Alemanha Oriental, a vida do presidente da Guiné-Bissau seguiu à do partido Paigc, fundado por Amílcar Cabral. Muçulmano natural da região de Empada, Bacai Sanhá conseguiu a presidência da Guiné-Bissau em 2009, mas teve seu mandato interrompido pela morte neste 9 de janeiro.

[caption id="attachment_209896" align="alignleft" width="350" caption="Malam Bacai Sanhá morreu aos 64 anos"]

Joyce de Pina, da Rádio ONU em Nova York.*

Malam Bacai Sanhá nasceu em 1947, na região de Empada, no sudeste da Guiné-Bissau. Na época, o país marcado pela variedade de etnias, línguas e religiões, ainda era uma colônia de Portugal. Bacai Sanhá pertencia à etnia beafada e era muçulmano.

No início dos anos 70, sem faculdades na Guiné, ele foi estudar Ciências Sociais na antiga República Democrática Alemã. Foi nesta época em que a Guiné-Bissau se tornou a primeira colônia independente de Portugal.

Retorno

Ao retornar ao seu país, dedicou 10 anos de sua vida ao Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, Paigc. No partido, fundado por Amílcar Cabral, Bacai Sanhá subiu degrau por degrau. No início dos anos 80, foi chamado para integrar o governo como ministro da Informação e Comunicações e depois, como ministro da Função Pública e do Trabalho.

Os colegas de Malam Bacai Sanhá o descrevem como um “homem de partido” e leal. Antes da chefia do Estado, foi presidente da primeira Assembleia Nacional multipartidária da Guiné-Bissau e, quando o ex-presidente João Bernardo “Nino” Vieira foi afastado pelos militares, entre Maio de 1999 e Fevereiro de 2000, Bacai Sanhá ocupou o cargo como presidente interino.

Vitória

Nas eleições presidenciais, Malam Bacai Sanhá foi um dos candidatos, mas perdeu para Kumba Ialá.

Cinco anos depois, em 2005, Bacai Sanhá se candidatou novamente à presidência da Guiné- Bissau e perdeu para João Bernardo “Nino” Vieira.

Finalmente, em 2009, na terceira tentativa, Malam Bacai Sanhá vence as eleições e se torna presidente da Guiné-Bissau. Mas ele fica no cargo por somente dois anos, até a sua morte nesta segunda-feira, em Paris.

Quem conheceu Bacai Sanhá, dentro e fora da política, afirma que ele foi um  homem modesto, conciliador, e que sempre tentava evitar conflitos.

Características que, segundo analistas, irão fazer falta no país que está se reerguendo de uma série de tentativas de golpe de Estado para se firmar como uma nação democrática e livre.

*Apresentação: Leda Letra.

 

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