Entrevista: Brasil se despede do Conselho de Segurança

29 dezembro 2011

A embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti conversou com a Rádio ONU sobre o fim do mandato rotativo do Brasil no órgão.

O país deixa o Conselho neste sábado, 31 de dezembro, após dois anos de trabalhos. Esta foi a décima vez que o Brasil participou do Conselho de Segurança como membro rotativo.

Responsabilidade ao Proteger

A partir de 1º de janeiro de 2012, a vaga brasileira será ocupada pela Guatemala, o novo representante latino-americano na casa.

Ao fazer um balanço da presença brasileira, Maria Luiza Ribeiro Viotti afirmou que o país investiu no diálogo e em soluções diplomáticas.

A embaixadora também lembrou o debate que o Brasil lançou ao sugerir o conceito de "responsabilidade ao proteger" para garantir a segurança de civis em casos de conflitos e o uso da força.

Grupo Majoritário

Ao falar de um dos temas de maior interesse do Brasil, a reforma do Conselho, ela afirmou que as mudanças, que levariam à ampliação do órgão, devem acontecer, e que seriam apenas uma questão de tempo:

“A tese da reforma é uma tese que hoje tem apoio universal. Não há nenhum

país que não reconheça que o Conselho hoje não reflete as realidades políticas, contemporâneas. Então, a necessidade de reforma é hoje um dado. O que permanece em discussão é a modalidade que essa reforma deve adquirir. Há um grupo de países, ao qual pertence o Brasil. É um grupo bastante amplo e majoritário nas Nações Unidas que defende uma reforma que possa permitir a expansão do Conselho de Segurança nas duas categorias: dos membros permanentes e não permanentes. E há um grupo, bastante menor, que defende a expansão do Conselho apenas na categoria de membros não permanentes. Mas, no fundo, este tipo de expansão não é uma expansão que possa promover uma reforma efetivamente estrutural do Conselho de Segurança e refletir a multipolaridade que caracteriza o cenário internacional contemporâneo”, disse.

Voto a Favor do Irã

Ao comentar um dos momentos mais polêmicos, talvez, da passagem pelo Conselho de Segurança - o voto contra uma resolução que condenava o Irã pelo seu programa nuclear - a embaixadora voltou a defender a posição brasileira.

Segundo ela, o caminho para a solução passa pelo diálogo e não por "decisões coercitivas como sanções". A proposta brasileira foi apoiada na época pela Turquia.

Por último, Maria Luiza Ribeiro Viotti falou de momentos históricos no órgão, como a votação da resolução sobre a violência na Líbia, que foi aprovada durante a presidência brasileira do Conselho, em fevereiro; e da criação do mais novo país do mundo: o Sudão do Sul.

Língua Portuguesa

Ao destacar a língua portuguesa no Conselho, ela lembrou a sessão dirigida pelo presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, durante a presidência rotativa de Portugal, em novembro. O primeiro debate de alto nível sobre a proteção de civis foi realizado todo em português. Uma cena rara, uma vez que a língua utilizada é sempre o inglês ou o francês.

"Creio que durante a presidência portuguesa, em novembro, talvez tenha sido o momento em que mais se falou português no Conselho de Segurança.

Foi uma grande satisfação participar do Conselho ao lado de Portugal", afirmou.

A partir de 1º de janeiro de 2012, o país europeu será o único lusófono no órgão. O mandato rotativo de Portugal termina em 31 de dezembro do próximo ano.

Acompanhe a entrevista à Mônica Villela Grayley.

Tempo Total: 11’40’’

 

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